Atualizada às 00h00
Chico Siqueira
Direto de Araçatuba
A Operação Coleta, da Polícia Federal (PF), prendeu quatro pessoas acusadas de cometer crimes eleitorais nas eleições da cidade de Ilha Solteira, interior de São Paulo. Entre os presos, estão o vice-prefeito eleito da cidade, Emanuel Zinezi (DEM), e o presidente da subsecção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o advogado Darley Barros Júnior. Outro detido foi o assessor de Barros Júnior, Ivo de Oliveira. A quarta pessoa detida não teve o nome divulgado.
As prisões, conforme a Polícia Federal, são temporárias, válidas por cinco dias, até que o delegado Vinicius Zangirolani, da PF de Jales, interior de SP, ouça os acusados no inquérito aberto pelo Ministério Público Estadual (MPE), em setembro deste ano. O objetivo era apurar a suspeita de compra de votos, através da liberação de atestados médicos falsos, distribuição de cestas básicas e pagamento de contas dos eleitores.
Segundo o promotor Gustavo Macri Morais, o vice-prefeito eleito Emanuel Zinezi, que é médico e vereador, é acusado de fornecer atestados médicos falsos a famílias de eleitores que moram fora e votariam em Ilha Solteira.
Zinezi é vice na chapa do deputado estadual Edson Gomes (PP), que venceu as eleições com 45% dos votos válidos. O prefeito eleito não é citado no inquérito. A PF informou que diligências feitas em Três Lagos (MS), Castilho (SP) e Coari (AM) apreenderam documentos, entre eles atestados médicos falsos, que comprovariam a fraude.
Os detidos são acusados de crime eleitoral, por formação de quadrilha, falsidade ideológica e falsificação de documentos públicos. "Era uma organização criminosa arquitetada para compra de votos", afirmou o promotor.
Morais disse, porém, que somente depois de analisar o material da PF é que poderá decidir se vai pedir ou não a anulação das eleições em Ilha Solteira. A reportagem não localizou os advogados dos acusados para falar sobre o assunto.
Especial para Terra