Atualizada às 19h14
Juliana Finardi
Direto de São Bernardo do Campo
Com a eleição do ex-sindicalista e ex-ministro Luiz Marinho, o PT volta ao governo de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, após 20 anos fora do poder na cidade. Desde 1988, quando o então candidato Maurício Soares foi eleito pelo partido, a legenda não obtinha êxito nas urnas. Segundo Soares, não estar à frente da administração da cidade sempre foi uma frustração para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Ele (Lula) sempre sonhou em ter essa cidade, o berço onde tudo começou, a carreira pessoal dele, o partido, a CUT. Tudo começou aqui e não ter essa cidade era uma espécie de frustração para todos os petistas e, em especial, para o Lula."
Para Maurício Soares, o partido teve êxito neste ano por conta do que chamou de uma reforma em seus conceitos.
"Mudou também o modo de o partido disputar a eleição, ampliaram-se as coligações, o temário das discussões, para envolver todas as classes e setores da sociedade. Os conceitos antigos do PT, aqueles mais revolucionários e que afastavam muita gente, também foram amenizados; hoje não se fala mais em revolução, não se fala mais em armas, em partido único, em outros assuntos que assustavam", avalia Soares, que foi advogado do sindicato entre 1965 e 1978.
Trajetória
Em 1988, Soares candidatou-se a prefeito em São Bernardo do Campo, ainda pelo PT, e foi eleito com 112 mil votos. Ele governou a cidade até 1992. No fim do mandato, voltou para a iniciativa privada e, um ano depois, deixou o PT.
Em 1996, retornou à política e ingressou no PSDB. Formou aliança partidária e venceu as eleições para prefeito em 1996 com 185 mil votos. Em 2000, foi reeleito com mais de 200 mil votos (60% dos votos válidos). Coordenou campanhas no ABC para os governadores Mário Covas (PSDB), em 1998, e Geraldo Alckmin (PSDB), em 2002.
Em 2003, deixou o governo, por motivo de saúde, retornando em 2004 para coordenar a campanha de William Dib à prefeitura, que venceu com 76% dos votos válidos. Nesse ano, chegou a encabeçar a chapa governista, mas rachou com o grupo. Ele decidiu apoiar Luiz Marinho e retornou ao PT.
Em nenhum momento de sua trajetória política, porém, deixou de lado a amizade com Lula. Foi ele quem escreveu os primeiros discursos do atual presidente. "Aí depois ele começou a falar sozinho e não parou mais", brincou Soares.
Partido organizado
O atual vereador Wagner Lino (PT), ex-sindicalista, sempre foi muito próximo de Luiz Marinho. Apesar de terem trabalhado em empresas diferentes, sempre atuaram juntos no movimento sindical. "A minha relação com o Marinho vem do movimento sindical. Eu como sindicalista e ele também na organização dos movimentos, nas diversas greves que existiram muitas vezes", disse.
Lino acredita que o partido viveu uma série de contradições, mas teve a prefeitura de volta porque conseguiu se organizar. Além disso, disputou a eleição em um momento em que o atual governo da cidade está desgastado. "Como metalúrgico, eu digo que é uma questão de fadiga do material. Esse governo estava se exaurindo."
Na opinião do vereador, o mesmo aconteceu com Santo André, onde o PT perdeu uma prefeitura que mantinha há 12 anos. "Quando o governo não consegue se reinventar, a tendência é morrer, perder a perspectiva."
Especial para Terra