São Paulo (SP)

Segunda, 27 de outubro de 2008, 15h49

Desafio é melhorar serviço de saúde e educação, diz Kassab

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Gilberto Kassab concedeu entrevista em casa
Gilberto Kassab concedeu entrevista em casa
Daniel Biasetto/Especial para Terra

Daniel Biasetto
Direto de São Paulo

O prefeito reeleito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dormiu apenas três horas esta noite, mas abriu as portas de seu apartamento do 9º andar do edifício Monfort, no Itaim, para conceder uma entrevista ao Terra. Bem-humorado e ainda lendo em seu escritório os jornais que repercutiam a sua vitória sobre a candidata Marta Suplicy (PT) com 60% dos votos válidos, o democrata falou dos principais desafios da cidade de São Paulo, das alianças que formou durante a campanha e das prováveis mudanças em seu secretariado. A entrevista foi interrompida apenas em um momento, quando a deputada federal Luiza Erundida (PSB) telefonou para parabenizá-lo pela vitória.

Durante a conversa, Kassab afirmou que o maior desafio do novo mandato será "melhorar a qualidade dos serviços públicos de saúde e educação". Do orçamento da cidade, o prefeito afirmou que 50% está vinculado a essas áreas, 31% para a educação e 20% para a saúde, para atender os 7 milhões de usuários da rede pública de saúde e o 1,2 milhão de alunos nas escolas municipais.

Sobre as eleições de 2010, disse que José Serra é o melhor nome para a disputa presidencial e que ele deve coordenar os esforços para a disputa para governador.

Kassab afirmou ainda que os momentos mais difíceis da gestão dele foram os acidentes da TAM no aeroporto de Congonhas e o acidente do metrô em Pinheiros.

Confira a entrevista

Terra - O que foi possível fazer nesses últimos dois anos e o que o senhor pretende fazer nos próximos quatro?

Kassab - Eu faria a análise de uma gestão de quatro anos que está sendo concluída agora em dezembro e as eleições de ontem mostraram a identidade do paulistano com a nossa gestão. Uma gestão que melhorou a qualidade de vida principalmente das pessoas que dependem mais dos serviços públicos, e quando você fala em serviços públicos, você deve dar atenção maior aos serviços públicos de saúde, nós temos 7 milhões de usuários do nosso serviço público de saúde, de educação, com 1,2 milhão de alunos em nossa rede e o transporte público onde 4 milhões de pessoas usam o nosso transporte público.

A nossa gestão teve uma diferenciação muito grande em relação às gestões anteriores. No transporte público pela primeira vez investimos no metrô, estamos investindo até o final da gestão R$ 1 bilhão e estamos fazendo corredores de ônibus como devem ser feitos, fazendo com que a pessoa se sinta incentivada a deixar o seu carro em casa e usar o transporte público.

É evidente que são projetos de médio e de longo prazos, mas não descuidamos do curto prazo que é a conclusão do trecho sul do Rodoanel, no apoio total, forte, a construção dele coordenada pelo governo do Estado, adotando todas as medidas necessárias para que a prefeitura pudesse dar a sua colaboração, principalmente na questão do meio ambiente, fazendo com que a CET se modernizasse. Encontramos a empresa com R$ 100 milhões de dívidas, encontramos a empresa sem guinchos, sem veículos adequados. Renovamos a frota, investimos na modernização dos semáforos e os primeiros resultados já começam a ser sentidos e também com a implantação de medidas de curto prazo como, por exemplo, a restrição da circulação numa área ampliada da cidade de São Paulo de caminhões e a implantação dos pedágios nas marginais, que melhoraram o trânsito nessas regiões.

Terra - Qual foi o momento mais difícil desses dois anos à frente da prefeitura e o que espera ser sua principal missão nos próximos quatro anos para a cidade de São Paulo?

Kassab - Os momentos mais difíceis foram as duas tragédias que aconteceram na cidade, que foi o acidente do TAM no aeroporto de Congonhas e o acidente do metrô em Pinheiros. A cidade superou esses problemas e estamos aguardando a definição dos investimentos no sistema aeroportuário, que é da responsabilidade do governo federal, e agora vamos nesse próximo governo continuar com as nossas ações de fortalecimento das áreas de saúde e educação, principalmente.

Terra - As eleições municipais de 2008 redesenharam a geografia política no Brasil, com o PT perdendo espaço nas grandes capitais e o seu partido o DEM e os demais aliados PSDB e PMDB se fortalecendo cada vez mais para futuras eleições.Qual a sua análise sobre o processo eleitoral nas grandes capitais?

Kassab - A aliança do PSDB e do DEM na cidade de São Paulo é uma aliança muito sólida, não só na cidade mas também no Estado. Essa aliança elegeu a mim agora prefeito de São Paulo, já tinha elegido o Serra prefeito e depois governador e evidente que ela se consolida, ela se fortalece, é a oportunidade que temos de continuar prestando bons serviços à cidade e ao Estado, e, num segundo momento em 2010 é a oportunidade que teremos para propor também a sua consolidação no plano nacional.

Terra - O PSDB-DEM tem um nome forte para o governo de São Paulo em 2010?

Kassab - Quando você tem uma aliança, desaparece a figura do partido. E assim como os partidos têm seus presidentes, a aliança tem um líder. E no caso esse líder é o governador José Serra. Caberá a ele no momento adequado coordenar os entendimentos que irão estruturar uma chapa entre os aliados para disputar as eleições de 2010.

Terra - Em relação às alianças que foram feitas no 1º turno e depois do 2º turno em volta de sua candidatura, como o senhor pretende organizar o seu novo secretariado?

Kassab - As mudanças serão rotineiras como é próprio da vida pública brasileira. Ao longo desses últimos dois anos e sete meses tive seis ou sete alterações, todas elas foram realizadas em princípios bastante republicanos, tenho procurado convidar pessoas a ocupar cargos mediante sua capacidade técnica e nessas mudanças rotineiras que evidentemente acontecerão daqui pra frente. Ao longo dos próximos quatro anos vou encarar a substituição consultando os aliados, irei procurar encontrar quadros bem preparados do ponto de vista técnico e com isso preencher as vagas.

Terra - O senhor considera o seu pai como o maior amigo que teve na vida. É difícil fazer amigos na política?

Kassab - Não, ao contrário. Tenho uma excelente relação pessoal com diversas pessoas que estão na vida pública, uma relação de amizade, de confiança e isso é muito gratificante.

Terra - O senhor prevê dificuldades nos próximos quatro anos? São Paulo está preparada para enfrentar grandes problemas?

Kassab - As dificuldades de uma cidade com a dimensão de São Paulo são imensas. Enormes desafios para serem superados em todos os campos, porém, temos uma excelente equipe. Temos um orçamento bastante diferenciado e esperamos avançar ainda mais nesses quatro anos. O importante é que a população entendeu, os eleitores de São Paulo, que hoje a cidade é melhor do que 4 anos atrás. Nós queremos é deixá-la melhor ainda no final desses quatro anos.

Terra - Qual o principal desafio da cidade de São Paulo?

Kassab - Melhorar a qualidade dos serviços públicos de saúde e educação. Já melhoraram de uma maneira significativa, mas o número de usuários é muito grande. São 7 milhões de pessoas utilizando o serviço público de saúde e 1,2 milhão de alunos na rede pública municipal.

Terra - Do total de R$ 29,4 bilhões do orçamento encaminhado à Câmara, caso seja aprovado, quanto será utilizado nas áreas de Saúde e Educação?

Kassab - Nós temos aproximadamente 50% do orçamento vinculada à Saúde e Educação. Serão 31% para a educação e 20% para a saúde. É bom lembrar que parte desses R$ 29 bilhões são convênios entre o Estado e o governo da União e, portanto, as vinculações em relação às verbas e às receitas municipais não chegam a tanto.

Terra - Além do metrô e do Rodoanel, o senhor estuda tratar com o governador José Serra a viabilização de mais ajuda e apoio financeiro?

Kassab - A nossa relação é permanente e cooperação também. Os secretários têm uma relação rotineira, diárias, todos eles e a minha com o governador José Serra também é rotineira. Portanto, não há nada de diferente que possa ser iniciado em relação a definição desse trabalho em cooperação. Ele vai apenas continuar.

Terra - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se aproximou bastante do senhor ao final do primeiro turno. Ele o acha um grande personagem político do País. O que senhor acha desse elogio?

Kassab - A nossa relação já existe há alguns anos. Tenho uma relação pessoal e política com o presidente. Ele ainda como presidente e eu como parlamentar, tive a oportunidade de presidir duas comissões no Congresso Nacional, e portanto, tenho um relacionamento muito próximo a ele. O meu partido indicou o vice na sua chapa nos dois mandatos, que foi o senador Marco Maciel, e tanto é que ontem eu fui pessoalmente à sua casa agradecê-lo pelo apoio no 2º turno e também pelas considerações muito respeitosas e positivas que ele fez ao meu respeito no 1º turno.

Terra - O presidente Lula ligou parabenizando o senhor pela vitória?

Kassab - Não.

Terra - O que o senhor deseja para cidade de São Paulo e qual o seu maior sonho?

Kassab - Eu desejo que ela supere todas as suas desigualdades, que consiga avançar o máximo possível nesses quatro anos e que possamos dar o exemplo para o Brasil em termos de administração pública, séria, honrada, que sabe usar de uma maneira bastante adequada os recursos públicos potencializando ao máximo o seu uso. O meu grande sonho é ver uma cidade melhor e sair ao final dessa gestão sendo recebido carinhosamente pela população como tenho sido recebido hoje.

Terra - O governador José Serra é o melhor nome para presidência do Brasil em 2010?

Kassab - Apesar desse momento isso não estar em discussão, mas inquestionavelmente quando formos iniciar as tratativas para a definição do nome de quem será o candidato à presidência em nossa aliança, ele é o melhor nome.


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