Eleições 2008

Segunda, 27 de outubro de 2008, 12h23

Resultados derrubam tese de que Lula elege "até poste"

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Marina Mello
Direto de Brasília

Especialistas acreditam que o resultado das eleições municipais deste ano mostram que, apesar da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser grande em todo o País, seu apoio não é garantia de vitória. O cientista político da Universidade de Brasília (UnB), Leonardo Barreto, cita como principais exemplos disso os resultados em São Paulo e Porto Alegre, onde as candidatas petistas Marta Suplicy e Maria do Rosário, foram derrotadas.

Para ele, o PT obteve bons resultados nessas eleições, com um crescimento de 35%, mas poderia ter tido um desempenho muito melhor caso a popularidade de Lula tivesse surtido efeito nos votos. Segundo o especialista, isso se deve principalmente ao fato de a imagem de Lula não estar mais associada ao PT.

"A população desvinculou o Lula do PT. Isso começou em 2005, com a crise do mensalão, quando a própria cúpula petista separou-o da legenda. Então a população não faz mais essa ligação", explica. Barreto afirmou ainda que não houve "nacionalização" das eleições, ou seja, tudo ocorreu de forma quase isolada dentro de cada cidade.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, concordou com a análise e disse que, com isso, os partidos de oposição saem fortalecidos para 2010. "Começamos as eleições com uma assombração, com a versão de que Lula iria dominar e transferir milhões de votos aos candidatos. (...) Os fatos não confirmaram isso. Se Lula antes podia eleger um poste, agora não pode mais. Isso nos fortalece para 2010, até porque onde José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) entraram, nós saímos vitoriosos", afirmou.

Barreto levantou outro fator para explicar o desempenho "aquém do esperado" do PT. Segundo ele, o resultado se deve ainda ao fato de a legenda fazer questão de ser cabeça de chapa até em municípios onde poderia apenas apoiar alguma candidato da base aliada.

De acordo com um levantamento feito pelo especialista, o PT lançou candidato próprio em 88% das capitais. "O PT não é bom negociador, ele sabe receber apoio, mas não sabe dar. Nas capitais não procurou fazer alianças com o PMDB nem com outro partidos da base, isso prejudicou o partido, principalmente no segundo turno", avaliou.

Para o líder do partido na Câmara, deputado Maurício Rands, a questão da cabeça de chapa já foi problema para o PT em 2004, mas acredita que nessas eleições a legenda mostrou "maturidade" e aceitou fechar apoio em algumas capitais. "Dessa vez o PT lançou menos candidaturas próprias do que em 2004 e mostrou com isso uma maturidade maior", disse.


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