Maranhão

Sábado, 25 de outubro de 2008, 16h20 Atualizada às 17h58

Candidatos divergem sobre queima de urnas no MA

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A revolta dos eleitores que promoveram queima de urnas eletrônicas no primeiro turno das eleições em Benedito Leite (MA), colocando a cidade no noticiário nacional, tem pelo menos três explicações: o cancelamento de cerca de 400 títulos eleitorais às vésperas do pleito, a impugnação de três candidatos a prefeito e uma suposta motivação eleitoreira.

As duas primeiras são defendidas pelos candidatos Marcus França (PRTB) e Pené (PMDB), enquanto a terceira é apoiada por Júnior Coelho (PRB).

Um inquérito das Polícias Civil e Federal foi aberto para apurar as denúncias, e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai investigar a conduta do juiz eleitoral Marcelo Baldochi, responsável pelos cancelamentos e impugnações e que acabou afastado após o primeiro turno frustrado.

O consenso entre todos é que os acontecimentos resultaram em prejuízo para a imagem da cidade e não retratam a realidade do povo de Benedito Leite.

"O dia 5 de outubro colocou Benedito Leite no cenário nacional, mas se referindo à cidade com cenas de vandalismo. Muita coisa aconteceu antes: títulos foram cancelados irregularmente, candidatos foram impugnados e isso trouxe a revolta da população. Não houve explicação, nem revisão eleitoral. O povo não fez o certo, mas foi a maneira que encontrou de reivindicar seus direitos", disse Marcus França.

Junior Coelho, no entanto, associa o evento ao atual prefeito da cidade, Walber Barros. "O que aconteceu em Benedito Leite não teve nada relacionado com a Justiça Eleitoral. Foi simplesmente o partido do prefeito, que perdeu a eleição e ficou inconformado com a derrota. A eleição chegou a ser apurada, e, logo após as 17h, começou a depredação", acusou.

"Inconformados com a perda do poder, eles criaram um factóide para que a eleição fosse anulada. E conseguiram", completou.

Walber Barros não é candidato à reeleição. Ele está no poder há oito anos, mas apóia sua tia, Penélope de Barros. O prefeito se defendeu dizendo que Júnior Coelho não tem provas contra ele.

"Ele não pode dizer que foi o meu povo porque eu não sei se os títulos cancelados eram dos meus eleitores. Eu não estava lá na hora da confusão. O povo, sim, se revoltou. Nem a polícia conseguiu conter a multidão, então ele não pode dizer que é o meu povo. Quando fiquei sabendo do episódio, já estava na minha casa", afirmou.

Sobre o episódio, dona Pené, como é conhecida a candidata ligada ao prefeito, disse que uma turma de jovens que ia votar pela primeira vez se revoltou e resolveu destruir as urnas.

"Se não fizessem assim, eles continuariam não votando, e o adversário teria vencido, porque eu não tive nenhum voto em nenhuma urna. Os cancelamentos dos títulos caíram sobre mim, os dele foram uma minoria", afirmou.

Segundo o promotor eleitoral Fernando Meneses, a Procuradoria Regional Eleitoral também vai investigar o caso. Ele disse que enviou todos os documentos para a investigação e que, até agora, o apurado sobre a conduta do juiz que cancelou os títulos é que ele atendia à determinação superior de um juiz de São Luís.

Além da investigação, o Ministério Público Eleitoral também trabalha numa frente de conscientização. "Temos buscado mostrar às coligações que aqui temos três candidatos e que dois vão perder e um vai ganhar. Precisamos prepará-los para a derrota para que não surja nenhum clima de agressividade que marcaria a cidade e estaria contra a cultura de paz da região", disse Meneses.


Agência Brasil