Salvador (BA)

Sábado, 25 de outubro de 2008, 14h49 Atualizada às 15h27

Candidatos apostam no corpo-a-corpo em Salvador

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Depois de terem se enfrentado em um debate tenso, na noite de ontem, com troca de ofensas e provocações, os candidatos à prefeitura de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB) e Walter Pinheiro (PT), dedicaram o sábado para fazer uma verdadeira maratona de corpo-a-corpo.

Acompanhado do governador Jaques Wagner, Pinheiro visitou, pela manhã, uma das mais tradicionais feiras de Salvador, a Feira de São Joaquim. À tarde, ele investiu no contato com os moradores do subúrbio, em uma caminhada no bairro Cajazeiras. Depois, participará de uma carreata do Vale do Canela até o Abaeté, passando pela orla da capital baiana, onde tenta conquistar os votos dos eleitores da classe média.

João Henrique visitou, pela manhã, o mercado do Rio Vermelho. À tarde, participou de uma carreata, saindo do Dique do Tororó, no centro da cidade, em direção à orla.

A disputa pelo "apadrinhamento" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente em todos os blocos do debate. No primeiro bloco, João Henrique lembrou que seu partido, o PMDB, é a sustentação do governo. "O PMDB é esse partido forte, robusto, que sustenta o governo. Quando o presidente Lula deu preferência à nossa candidatura, eles entraram em desespero, ficaram enciumados", provocou o atual prefeito, que tenta a reeleição.

Pinheiro devolveu. "O presidente Lula tem demonstrado sua confiança, quando nos chama para discutir as propostas para a cidade. Isso tem acontecido nas obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), no Bolsa família. Aliás, muita gente, que hoje o apóia foi contra o Bolsa Família", alfinetou Pinheiro, referindo-se a Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), candidato derrotado no primeiro turno e que declarou seu apoio a João Henrique.

No segundo bloco, a disputa pela imagem de Lula veio de forma mais explícita, na pergunta feita pelo prefeito: "O presidente Lula gravou 94 mensagens personalizadas para candidatos do PT, inclusive na Bahia. Por que não gravou mensagem de apoio especificamente falando o nome do senhor?", questionou.

O petista respondeu: "O presidente Lula mais que gravou mensagem. Ele está inserido no nosso programa. A nossa relação não é de propaganda, não é só para campanha. Tanto é que fui escolhido como vice-líder do seu governo. Conheço toda a estrutura do Orçamento. Tenho experiência em Brasília".

Outro traço do debate foi a crítica feita por Pinheiro de que o prefeito João Henrique tem o hábito de colocar a culpa nos outros pelas obras e dos projetos não realizados em Salvador. Essa idéia foi repetida nove vezes pelo candidato petista que, durante a campanha, disse que João Henrique começou a realizar as obras nos últimos quatro meses antes da campanha. "Deve ser peculiar do candidato botar a culpa nos outros", comentou o petista.

João Henrique destacou que o PT esteve em seu governo até abril deste ano e, portanto, não teria o direito de dizer que os projetos não caminharam. Em certo momento, o prefeito usou de ironia: "Eu só posso dar risada. Eles (os petistas) ficaram 40 meses no meu governo. Saíram por interesse eleitoreiro, para disputar eleição. Ocuparam quatro secretarias e mais de 200 cargos de confiança. E eu, tinha total confiança. O senhor me ajudou, sim. Mas assuma também as coisas ruins. As coisas ruins na gestão do PT. Foram poucas, mas aconteceram, estamos até hoje tentando recuperar", disse o prefeito.


Agência Brasil