Cuiabá

Sábado, 25 de outubro de 2008, 07h26

Cuiabá: debate teve leves embates e poucas propostas

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Juliana Michaela
Direto de Cuiabá

Os candidatos à prefeitura de Cuiabá (MT), Wilson Santos (PSDB) e Mauro Mendes (PR), tiveram alguns leves embates e poucas propostas apresentadas no último debate promovido nesta sexta-feira à noite, pela TV Globo. Por dois momentos, quando o clima das discussões começava esquentar, Santos falava para Mendes diminuir a agressividade e o candidato republicano parecia ficar irritado com o comentário.

O aterro sanitário e a destinação do lixo na capital foram tratados pelos dois candidatos. Mauro Mendes criticou a utilização do atual aterro sanitário, ressaltou que uma pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) constatou que o uso está no limite, tanto que pode haver contaminação do lençol freático e da qualidade da água nos poços artesianos.

"Pretendo construir um novo aterro dentro dos mais modernos padrões e realizar um programa de reciclagem para diminuir o lixo. Pude analisar um vídeo que circula pela Internet que mostra que o mesmo ônibus que coleta lixo domiciliar é o mesmo que coleta lixo hospitalar. Isso não pode ocorrer", disse Mendes.

Santos rebateu dizendo que o aterro foi construído em 1996 e possui uma vida útil de 12 anos, o que ainda estaria no prazo e que está construindo um novo aterro. Ele salientou que pretende atrair empresas de reciclagem, explorar a extração de gás, manter a cooperativa dos catadores de lixo e avançar na coleta seletiva.

Mauro Mendes questionou Wilson Santos sobre o que ele teria feito pela segurança pública da capital. Santos respondeu que iluminou a cidade com o Programa Reluz do governo federal e que não fez licitação porque não era uma obrigatoriedade, pois a concessionária de energia que era responsável por contratar ou fazer direto.

"A segurança é responsabilidade da União e do governo do Estado. Os investimentos do Estado na segurança diminuíram, tanto que a criminalidade aumentou e os policiais civis estão em greve", disse Santos.

O candidato do PR rebateu dizendo que não dá para imaginar que se faz segurança pública colocando apenas lâmpadas. "Muitas prefeituras fizeram licitação para comprar as luminárias. As que a prefeitura adquiriu representa uma TV de 29 polegadas dependurada em cima de um poste. Eu vou cuidar da segurança com ações de prevenção", disse Mendes.

Saúde
Um tema abordado que retornou duas vezes no debate foi sobre a saúde. Mendes questionou Santos se ele sabia quantas pessoas aguardavam na fila para consultas médicas e cirurgias. O candidato tucano disse que reduziu a mortalidade infantil em 19%, que irá fazer uma reforma no Pronto Socorro e nas Policlinicas, mas não respondeu à pergunta.

Na fala do tucano, ele disse que a área da saúde é a mais complexa, principalmente do município. "Maggi (Blairo, governador de Mato Grosso e do mesmo partido de Mauro Mendes - PR) gasta R$ 36 milhões para atender o hospital de Rondonópolis e todo dia estou recebendo gente de lá. A política na área da saúde que existe é a da 'ambulância-terapia". Temos problemas, mas avançamos muito", disse Santos.

Mendes protegeu o governo do Estado respondendo que Cuiabá atende o interior de Mato Grosso e recebe por isso. "Não se pode colocar um especialista que trata somente de câncer na cidade de Poconé", rebateu.

Santos voltou novamente a atacar dizendo que o seu parceiro é o governo federal. "Somos o único Pronto Socorro Municipal que atende urgência e emergência, normalmente isso ocorre nos hospitais estaduais", contou.

Obras
A construção do Hospital Universitário esquentou as discussões entre os dois candidatos de Cuiabá. Wilson Santos questionou Mauro Mendes de onde ele tiraria dinheiro para construir o projeto.

"O hospital será construído para o curso de medicina, que é uma das ações do ministro Haddad (Fernando Haddad, ministro da Saúde). O hospital será fundamental para a desobstrução do número de cirurgias na fila de espera", explicou Mendes.

Wilson falou que o candidato não diz a verdade, pois o hospital será construído pelo governo federal. "Você pega carona com o governo federal e fala que é você. A revitalização do Cine Teatro, você também quer pegar carona?", alfinetou o tucano.

Na última pergunta, Mendes, questionou o candidato à reeleição o porquê que recursos de sua gestão foram devolvidos.

"Foram devolvidos R$ 780 mil porque não foram aplicados. O dinheiro ficou 15 meses na conta e não fez nada? Além disso, já mudou seu escalão 29 vezes. Não dá, uma boa administração não pode deixar que o dinheiro retorne", ironizou Mendes.

O adversário respondeu que esta é uma atitude considerada normal. "Isso faz parte de uma gestão franca e honesta", afirmou.


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