São Paulo (SP)

Sexta, 24 de outubro de 2008, 23h50 Atualizada às 01h59

SP: na véspera da eleição, debate tem ataques e poucas propostas

Marta e Kassab se cumprimentam
Marta e Kassab se cumprimentam
Marcelo Pereira/Terra

Luiz de França e Leandro Calixto
Direto de São Paulo

Os candidatos à prefeitura de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT) trocaram acusações sobre suas gestões no último debate antes das eleições do segundo turno, promovido pela TV Globo. O pleito ocorre no domingo. Os dois não aprofundaram as propostas e citaram em vários momentos companheiros de partidos envolvidos em denúncias de corrupção.

O prefeito Kassab acusou Marta de deixar a prefeitura com dívidas de R$ 2 bilhões. "Você deixou 86 obras paradas, túneis mal feitos. Dívidas que chegaram a R$ 2 bilhões", disse. Marta rebateu afirmando que entregou a cidade com mais de R$ 1 bilhão em caixa e que suas contas foram aprovadas pelos tribunais de contas e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ela disse também que na gestão Pitta, na qual Kassab foi secretário de Planejamento, a dívida pública passou de R$ 5 bilhões para R$ 21 bilhões. "Tive muito orgulho de entregar meu governo como entreguei. (...) porque recebi de você e do Pitta, que acabaram com essa cidade", disse.

Habitação
Marta leu uma carta que seria entregue pela prefeitura em ordens de despejo para moradores e criticou a gestão do democrata. "Respeito com as pessoas não é com vocês mesmo. Li documentos de despejo entregue por você na véspera do despejo. No dia seguinte, vocês usam gás lacrimogêneo e cachorro", afirmou.

Kassab não reconheceu o documento como legítimo e afirmou que triplicou o investimento em moradia na cidade. "Fizemos parcerias com o governo federal. Atendemos cinco vezes mais pessoas do que na sua gestão. Sobre o documento, não sei de onde veio", falou.

A petista lembrou uma suposta tentativa de despejo na comunidade do Jardim Edith. "Eu chorei. Deixei prontinho pra você urbanizar, mas você dividiu a favela no meio com um muro. As crianças vieram falar comigo", disse. Kassab afirmou que a construção do muro é uma necessidade e acusou Marta de ser "mal assessorada" tecnicamente.

Camelôs
Questionado pelo jornalista sobre o tema dos camelôs, Marta lembrou o episódio que ficou conhecido como Máfia dos Fiscais, quando um grupo de fiscais da prefeitura foi preso acusado de cobrar propina de vendedores ambulantes, em julho. "O seu fiscal está preso há três meses", disse.

Kassab afirmou que a prefeitura ajudou a prender o fiscal. "Ajudamos a colocá-lo na cadeia. Agora eu nunca vi manifestação sua sobre os seus companheiros como o Silvinho, o Delúbio, que foram considerados como uma quadrilha (caso do mensalão) pelo Ministério Público", declarou. O candidato também ressaltou que se afastou de Pitta.

Educação
Os dois também discordaram sobre os números da educação. Kassab afirmou que abriu 45 mil vagas em creches e, segundo ele, Marta criou 11 mil. A petista rebateu afirmando que os números "são falsos". "Depois desses números, se sua credibilidade não estava boa foi para o brejo", disse. Ela afirmou que a gestão do democrata não prioriza as crianças com mais de 3 anos e disse que abriu mais vagas.

Marta prometeu investir em centros de formação continuada do professor e afirmou que Kassab não conseguiu terminar Centros de Educação Unificados (CEUs). "Se em quatro anos nao passarmos na prova nacional, vamos ficar bem próximo. Sem investir, não vamos conseguir dar esse salto", disse.

O democrata afirmou que, quando a petista foi prefeita, não investiu no professor. "A Prova Brasil identificou uma melhora no primeiro e segundo ano porque implantamos o programa Ler e Escrever. No início da nossa gestão, o indice de analfabetos no programa era 35% e foi reduzido para 15% e continuamos avançando", falou.

Segurança
A petista acusou o prefeito de não usar verbas do programa Reluz para iluminação pública e terminar com a Secretaria de Segurança. Além disso, disse que o prefeito não continuou com as bases de guardas nas comunidades. "O projeto Reluz você não utilizou o empréstimo de R$ 180 milhões, do governo Lula", afirma a candidata.

Kassab questionou os dados e afirmou que dobrou o número de viaturas nas ruas e aumentou o efetivo de guardas civis metropolitanos.

Saúde
Os dois também divergiram sobre dados da saúde. A petista afirmou que tem ouvido muitas críticas sobre a demora no atendimento especializado e prometeu criar as policlínicas. "Uma tomografia demora 10 meses. As AMAs do Kassab foram uma boa idéia. Elas acolhem, mas não resolvem", disse.

O prefeito rebateu dizendo que a área de saúde na cidade melhorou muito no seu governo, mas reconheceu que ainda não atingiu o "ideal". "A proposta que a candidata aqui apresenta são as AMAs com consulta de especialista", disse.

A petista citou uma pesquisa Ibope que avalia como ruim a qualidade da saúde na cidade. Ela também questionou se os espectadores conheciam alguém que recebia medicamentos pelo programa Remédio em Casa. O candidato do DEM apresentou dados de outra pesquisa e disse que seus programas e obras na área são bem avaliadas. "Você investiu 15% do seu orçamento na saúde e eu 20%. (...) Você falou 'quem conhece quem recebe remédio em casa', e eu digo que das 11 milhões de pessoas que moram na cidade, temos 120 mil que recebem remédio em casa", disse.

Pedágios urbanos
Marta retomou o tema dos pedágios urbanos e lembrou que um vereador do DEM recentemente elaborou um novo projeto. "Quando entrará em vigor, Kassab?", questionou.

O democrata respondeu que, enquanto for prefeito, não haverá pedágio urbano e acusou parlamentares do PT de serem favoráveis à medida.

Trabalho
A respeito do tema geração de empregos, os adversários voltaram a trocar acusações. Marta acusou Kassab de não ter feito os CEUs profissionalizantes. "Todos os 21 que eu deixei e os 14 que você tá fazendo já poderiam estar funcionando há quatro anos, poderiam estar sendo usados em qualificação", disse.

Ela afirmou que a Secretaria de Trabalho da gestão do democrata "é das piores", porque teria usado apenas 16% da verba destinada pelo governo federal para o programa Bolsa Trabalho, "que é para o jovem, qualificação para juventude. Você não conseguiu usar o dinheiro".

"Parou o Começar de Novo para a dona de casa que quer voltar a trabalhar. Você reduziu muito inclusive o Renda Mínima, deixou de usar uma quantidade gigantesca do Bolsa Família. Gente não é a sua prioridade", disse a petista.

Kassab rebateu afirmando a sua gestão foi responsável por 150 mil empregos com carteira assinada. "O seu programa gerou 5 mil empregos", afirmou.


Especial para Terra