São Paulo (SP)

Sexta, 24 de outubro de 2008, 17h45 Atualizada às 19h13

Provável vitória de Kassab dá impulso ao DEM para 2010

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A quase certa vitória do candidato à prefeitura de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) na eleição de domingo terá um significado especial para o DEM. Enfraquecido em todo o País, inclusive em redutos históricos do nordeste, o partido ganhará um novo impulso e um novo líder.

Longe de se caracterizar como projeto unilateral, o DEM divide o sucesso com o PSDB, tendo no horizonte a sucessão presidencial de 2010. Tradicional aliado dos tucanos, o DEM quer manter seu peso político na chapa de oposição que disputará a eleição de 2010.

Administrar a principal cidade do Brasil deve se transformar no cartão de visitas do Democratas e o prefeito, tido até agora como articulador de bastidores, ganhará protagonismo dentro e fora da legenda.

A aliança histórica do DEM com o PSDB passará, a partir da eleição, necessariamente pela apreciação de Kassab, que soube costurar o acerto com o governador José Serra, de quem foi vice na eleição de 2004, e levar a gestão nos moldes determinados pelo parceiro partidário.

"Kassab vai se tornar um líder nacional, mas diferente. É gente nova, não é produto do ciclo militar. Será líder de um novo ciclo", disse à Reuters o ex-governador Cláudio Lembo, tradicional integrante do PFL (antigo nome do DEM).

Lembo acredita que uma das principais características de Kassab, que conquistou Serra, é sua a lealdade não apenas ao governador como a seus projetos na prefeitura. "Tanto que aceitou e manteve os secretários do PSDB", analisou Lembo.

Rodrigo Maia, deputado e presidente nacional do DEM, vê na possível eleição a aprovação do gestor da capital. "A população reconhece o líder administrativo, o que deu musculatura a ele", afirmou.

Faz parte da estratégia dos apoiadores de Kassab o cumprimento do mandato de quatro anos na prefeitura, sem a opção da candidatura ao governo do Estado em 2010. A medida também é uma das etapas para o projeto de Serra rumo à Presidência da República.

"Não é uma vitória do partido. A vitória é da aliança comandada pelo Serra", declarou Guilherme Afif, articulador da candidatura Kassab junto com o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen. Foi por intermédio de Afif, secretário do Trabalho do governo estadual, que Kassab, hoje com 48 anos, entrou para a política, em 1985.

O PSDB aderiu formalmente à eleição de Kassab no segundo turno, depois da derrota do candidato da legenda, Geraldo Alckmin. A ala da sigla liderada por Serra, no entanto, esteve todo o primeiro turno ao lado do prefeito.

O Democratas, novo nome do PFL a partir de 2007, elegeu apenas um governador nas eleições de dois anos atrás, no Distrito Federal. Também viu reduzida sua base no Congresso, de onde exerce seu principal papel, o de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido elegeu 65 deputados em 2006, número que caiu para 54 hoje, com as trocas de legenda. Eram 84 em 2002 e 105 quatro anos antes.

Para dirigentes do partido, a situação levou à renovação realizada no ano passado, com troca de nome e de presidente. A mudança, no entanto, ainda não se fez sentir fora de São Paulo.

Nas eleições municipais deste ano, o DEM não conseguiu levar ao segundo turno em Salvador o candidato Antonio Carlos Magalhães Neto, depois de ter perdido o governo do Estado para Jaques Wagner, do PT. A Bahia era o principal reduto da legenda. No Rio de Janeiro, a candidata do partido não atingiu 4 por cento dos votos, depois que Cesar Maia e aliados ocuparam a prefeitura por quatro gestões.

"O partido perde 4 milhões de eleitores no Rio e ganha 8 milhões em São Paulo", comemora Rodrigo Maia, filho de Cesar.


Reuters