Salvador (BA)

Sexta, 24 de outubro de 2008, 07h19 Atualizada às 08h38

Semelhanças marcam 2° turno em Salvador

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Na opinião do cientista político Jorge Almeida, professor da Universidade Federal da Bahia, a campanha dos candidatos que disputam o segundo turno em Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB) e Walter Pinheiro (PT) apresentam diversas semelhanças. Além do jingle das duas campanhas contarem com quase o mesmo refrão (Pinheiro utiliza "é o 13, é o 13, é o 13", enquanto Carneiro "é o 15, é o 15, é o 15"), ambos apresentam o apadrinhamento" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Enquanto o candidato petista utiliza imagens do presidente durante seus programas e campanha, João Henrique, impedido pela Justiça Eleitoral de colocar Lula em seu programa, utiliza uma foto com ele, na qual a imagem do presidente é recortada e extraída. O prefeito também repete que a parceria com o presidente "está nas ruas", referindo-se às obras do governo federal executadas em seu mandato.

Se, do ponto de vista da política nacional, os dois candidatos, no primeiro turno, dividiram a base do governo ao colocar em candidaturas diferentes o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o PT de Jaques Wagner, no segundo turno, a oposição é que se dividiu entre os dois candidatos. O DEM ficou com João Henrique e o PSDB com Walter Pinheiro.

Do ponto de vista programático, as propostas também não se diferenciaram. "Não houve debate de propostas, até porque as propostas apresentadas foram as mesmas. A população deverá avaliar a relação custo/benefício e optar entre o discurso sobre as obras de Lula, que o candidato do PMDB apresenta como sinal de parceria com o governo federal, ou o discurso do PT, para quem o fato de ser do mesmo partido de Lula e do governador Jaques Wagner poderá render mais recursos e mais obras para Salvador", avaliou Jorge Almeida.

As candidaturas também dividiram políticos que estiveram em algum momento com o "carlismo", grupo liderado pelo senador Antônio Carlos Magalhães, que morreu no ano passado e que apostou na candidatura do deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), que acabou derrotado no primeiro turno.

João Henrique recebeu apoio formal de ACM Neto e do presidente do PR na Bahia, o ex-governador César Borges, um dos expoentes desse grupo. Já Pinheiro conseguiu apoio do ex-prefeito Antônio Imbassahy, que governou Salvador por duas vezes e que chegou à prefeitura da capital pelas mãos de ACM.

O vice da chapa carlista derrotada,  Bispo Márcio Marinho (PR), também decidiu apoiar Pinheiro, na tentativa de levar os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus. "O próprio  Pinheiro chegou a procurar o apoio de ACM Neto", ressaltou Jorge Almeida.

Com a mistura geral que, em vez de distinguir, tornou as duas candidaturas muito parecidas, o debate de idéias não ocorreu na campanha do segundo turno, na opinião de Jorge Almeida. "O que se viu no horário eleitoral foram ataques, picuinhas. As questões secundárias se sobrepuseram à discussão programática. Em uma campanha acirrada como essa, os dois candidatos ntenderam que não bastava apenas se afirmar, era preciso também atacar o adversário, tirar voto dele", analisou o professor.

Jorge Almeida destacou que o governador Jaques Wagner, que no primeiro turno manteve uma postura discreta, entrou de forma efetiva e agressiva na campanha de Pinheiro. "Ele fez ataques diretos a João Henrique", referindo-se às imagens do discurso no governador no último comício do PT, exibidas no programa do candidato petista nesta quinta-feira. Antes, João Henrique havia chamado o governador de "lerdo" em um debate. No comício, Wagner devolveu chamando o prefeito de "covarde, mentiroso e traidor".


Agência Brasil