Florianópolis (SC)

Segunda, 20 de outubro de 2008, 06h39 Atualizada às 10h25

Ações na Justiça viram tema de debate de candidatos em SC

Esperidião Amin (PP) Cumprimenta Dário Berger (PMDB) antes do debate
Esperidião Amin (PP) Cumprimenta Dário Berger (PMDB) antes do debate
Fabricio Escandiuzzi/Especial para Terra

Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis

Os candidatos a prefeito de Florianópolis Dário Berger (PMDB) e Esperidião Amin (PP) discutiram sobre a quantidade de ações que cada um deles responde na Justiça durante debate promovido na noite deste domingo pela Rede Record. A exemplo do debate ocorrido no meio da última semana, os candidatos trocaram diversas acusações e por várias oportunidades o mediador teve que pedir calma aos participantes.

A questão das ações foi levantada por Berger, que acusou o adversário de responder por 24 processos judiciais durante gestões anteriores como governador do Estado e prefeito. "Ele responde a 24 processos e eu apenas quatro", comparou. "Meu oponente teve os bens considerados indisponíveis pela criação de uma empresa de medicamentos. Isso sim é uma vergonha para o Estado".

Amin rebateu citando a "lista suja" divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros e que incluiu o nome do candidato peemedebista. "Ele e o irmão dele foram condenados a devolver R$ 500 mil por improbidade administrativa", disse. "Tenho as minhas mãos limpas e meu nome não consta em nenhuma lista".

Em meio a tensão, o apresentador Paulo Alceu chegou a interromper o programa para conceder um tempo extra a Esperidião Amin, que foi chamado de "mentiroso" pelo adversário enquanto respondia uma pergunta. "Vou conceder o direito de resposta ao candidato Amin, mas peço que os senhores tenham calma. Estamos num programa de televisão", disse o mediador.

Na reta final de campanha, os ânimos entre peemedebistas e progressistas se acirraram. Praticamente em todas as intervenções dos candidatos havia uma alfinetada dirigida ao oponente. Além de temas como saúde, educação e transporte coletivo, os dois dedicaram boa parte do debate para abordar prisões de secretários municipais, aposentadorias de Amin e contratos de empresas de Berger com o governo do Estado. As comparações entre as administrações passadas também ocuparam boa parte do programa.

O progressista citou o envolvimento de secretários municipais da atual administração no escândalo da Operação Moeda Verde, acusou o peemedebista de não cumprir as promessas da campanha de 2004 e ainda citou que Berger seria um "empregado do governador". "Ele não investe na área social dos bairros carentes, a violência cresce e suas empresas de segurança privada aumentam o faturamento", acusou. "Ele não cobra o governador, pois ele é seu patrão. Suas empresas ganham R$ 128 milhões do estado de Santa Catarina".

Dário Berger, por outro lado, qualificou o adversário como "protótipo da ética", mas o acusou de uma série de irregularidades que teriam sido cometidas durante a gestão como governador do Estado (1999-2002). "Ele é bom de discurso, mas muito ruim de trabalho", disparou. "Ganha três aposentadorias, como senador, governador e professor universitário, teve 24 processos na Justiça e apresenta propostas mirabolantes em alguns bairros onde tomou uma coça no primeiro turno".

No encerramento do programa, Dário Berger e Esperidião Amin ainda citaram os números da pesquisa Ibope divulgada neste sábado como "incentivo" para a vitória. "Meu oponente está muito assustado, pois caiu seis pontos em uma semana e o número de indecisos dobrou", destacou o progressista. "O ex-governador me ataca, pois eu lidero todas as pesquisas eleitorais", rebateu o candidato do PMDB.


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