Atualizada às 06h51
Os candidatos que disputam o segundo turno no Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) procuraram, esta semana, a consultoria do ambientalista Sérgio Ricardo, diretor do Instituto da Mobilidade Ambiente Brasil, em busca de alternativas para o lixo na capital. Os dois candidatos, que declaram ser contra o uso do aterro de Paciência, na zona oeste do Rio, se comprometeram em avaliar o projeto do instituto que prevê a construção de nove ecopólos.
"As duas campanhas me procuraram atrás de alternativas e apresentei o projeto do ecopólos. O Paes assinou um documento se comprometendo, o mesmo que a Jandira Feghali já havia assinado, e o Gabeira avalia a idéia. Hoje o lixo é o principal problema da cidade. Não adianta despoluir a Baía e não tratar do lixo, que acaba sendo despejado lá", explica Sérgio Ricardo.
Além do projeto de ecopólos, Gabeira avalia ainda a possibilidade de implementar a chamada Usina Verde. A diferença entre os projetos é que este último queima material reciclável e, por isso, foi reprovado pela Comissão Mundial do Clima.
"Vou fazer a escolha depois de estudos e reuniões. Ambos produzem energia só do lixo. Além disso, produzem um pouco de metano canalizado, o que os permite ter a possibilidade de financiamento pelo protocolo de Kyoto, por um instrumento chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, uma proposta brasileira apresentada em Marrocos", disse.
Espalhar as usinas
Espalhados pela cidade e em municípios da região metropolitana como Caxias, Nova Iguaçu, Magé e Seropédica, os nove ecopólos receberão o lixo da cidade e o transformarão em energia elétrica. O projeto inclui o incentivo à coleta seletiva com cooperativas de catadores, o que pode gerar até oito mil empregos e a criação de ecofábricas em áreas abandonadas como galpões ao longo da Avenida Brasil.
"Hoje o Rio produz 10 mil toneladas de lixo por dia, 10% de todo o lixo produzido no país. Destas 10 mil, 60% é material orgânico que entra em decomposição e produz a poluição por chorume e gases tóxicos", ressalta o ambientalista.
De acordo com os cálculos do Instituto da Mobilidade Ambiente Brasil, 30% do lixo produzido no Rio é composto por material reciclável. Relatório do Tribunal de Contas do Município, inclusive, criticou o prefeito Cesar Maia por não realizar a coleta seletiva.
Jornal do Brasil