Rio de Janeiro (RJ)

Quarta, 15 de outubro de 2008, 16h39 Atualizada às 17h15

Se eleito, Gabeira vai se aproximar do governo, diz ministro

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O candidato do PV à prefeitura do Rio de Janeiro, deputado Fernando Gabeira, irá se aproximar do governo Luiz Inácio Lula da Silva, caso seja eleito. A afirmação é do ministro da Cultura, Juca Ferreira, único representante do PV na Esplanada dos Ministérios.

Embora pertença a um partido que integra a base de sustentação do governo no Congresso, Gabeira normalmente vota com a oposição nas sessões da Câmara e é apoiado por PSDB e PPS na corrida pela prefeitura carioca. O parlamentar disputa o segundo turno com Eduardo Paes (PMDB), aliado do presidente Lula e do governador fluminense, o também peemedebista Sérgio Cabral.

"Se o nosso querido Gabeira for eleito, ele vai ter que mudar um pouco a política dele", afirmou o ministro à Reuters, que disse estar conversando com o correligionário sobre o assunto. "Se ele for eleito, ele vai se aproximar muito do governo federal."

O comportamento de Gabeira é um dos exemplos de que o PV, embora aliado no âmbito nacional, faz oposição a partidos da base em cidades estratégicas. Em São Paulo, o partido integra a coligação do atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), adversário da petista Marta Suplicy.

Em Natal, Micarla de Sousa (PV) uniu-se ao senador José Agripino Maia (DEM), um dos maiores desafetos do presidente no Congresso. Lula chegou a subir no palanque de Fátima Bezerra (PT) a fim de reforçar a campanha de seu partido na capital do Rio Grande do Norte, mas Micarla venceu a eleição no primeiro turno.

O ministro da Cultura minimizou essas divergências. Há cerca de cinco anos, argumentou, o PV passou por um processo de federalização, por meio do qual as direções regionais do partido ganharam autonomia para fazer alianças.

Ferreira acredita que, depois das eleições municipais, a maioria dos filiados do PV optará por um movimento de reaproximação ao governo, já que, excluindo Gabeira, a bancada da legenda na Câmara acompanha os demais partidos aliados nas votações . Além disso, a maior parte dos dirigentes regionais também é simpática ao governo federal, acrescentou.

"Para mim, é muito claro que precisa um maior alinhamento", declarou o ministro, apesar de reconhecer que a direção nacional do PV está dividida quanto a esse tema. "Eu viajo muito e as pessoas concordam que um partido não pode ser contra e a favor."

O ministro ressaltou também que as alianças de setores de seu partido com legendas da oposição não lhe fragilizam dentro do governo. "Até hoje, eu não fui pressionado", concluiu.


Reuters