Rio de Janeiro (RJ)

Terça, 14 de outubro de 2008, 09h23 Atualizada às 09h43

Paes e Gabeira intensificam ataques no Rio

  • Notícias

Aumenta os ataques entre os candidatos que disputam à prefeitura do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV). Além do horário eleitoral que recomeçou no domingo com um tom mais agressivo, panfletos distribuídos pelas ruas da cidade e até pela internet completam o quadro de acirramento entre os candidatos.

No horário eleitoral, Paes utilizou jingle para explorar uma suposta declaração de Gabeira, na semana passada, de que a vereadora Lucinha (PSDB) era "analfabeta política" com "visão suburbana" sobre o Aterro de Paciência. Segundo Gabeira, alguns jornalistas teriam ouvido apenas parte da conversa e a publicaram.

A própria candidata eleita, a mais bem votada da cidade, declarou apoio ao candidato, ontem, quando esteve e Bangu, Zona Oeste. Lucinha classificou como intrigas as notícias sobre o fato. Mais de 2 mil pessoas estiveram no encontro.

Paes também mostrou imagens do encontro com o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral, que gerou reação imediata na trincheira rival, Eduardo Paes (PMDB-PP-PTB-PSL). A campanha de Gabeira tentou, através de liminar no TRE, impedir as imagens do presidente Luis Inácio Lula da Silva no programa noturno de Paes. Mas foram ao ar as imagens de Lula e também de Paes com o governador Sérgio Cabral.

"Não tenho vergonha de meus apoios. Se ele colocar o Cesar Maia no programa, não vou reclamar na Justiça", rebateu o candidato peemedebista. No programa de TV, Lula disse que é importante ter um prefeito "afinado" com o governador e o presidente. Jandira Feghali (PCdoB) também surgiu para avisar que está com Paes "no novo contexto".

Mas, apesar de apoiar o candidato do PMDB no segundo turno, o PCdoB mantêm um texto em sua página na Internet que o peemedebista é chamado de "demo-tucano" (uma referência ao apoio do DEM e do PSDB) e acusado de tentar "surfar na popularidade do presidente Lula". Um vídeo, já fora do ar, mostrava ataques do peemedebista ao presidente na CPI do Mensalão. "No primeiro turno havia disputa acirrada. Quisemos mostrar que nossa aliança com Lula era mais antiga do que a do Paes", explicou o secretário de comunicação do PCdoB, Wevergton Brito Lima.

Gabeira, por sua vez, ressaltou a "onda verde e limpa" de sua campanha e afirmou que chegou onde está gastando menos dinheiro. "Fui melhor administrador", disparou. Começou o programa ao som de Lulu Santos em Como Uma Onda, exibindo clipe de surfe como pano de fundo para depoimentos de eleitores, destaque para moradora da Zona Oeste.

O cantor Caetano Veloso participou dizendo que "Gabeira é a cara do que há de bom no Rio" e depois cantou Cidade Maravilhosa. Ainda no horário da TV, surgiram imagens de pessoas cansadas, enfatizando as críticas à 'sujeira'. Gabeira também citou os panfletos distribuídos contra sua candidatura nos arredores do Maracanã, durante o final de semana. "Agora que estamos na frente, os boatos vão aparecer. Cuidado com eles", encerrou o programa.

Durante as inserções da programação, Gabeira exibiu frase da ex-ministra Marina Silva, petista que o apóia à revelia do partido, afirmando que o ativista Chico Mendes, se fosse vivo, estaria com Gabeira.

Outro fato que vem esquentando a campanha, que vinha sendo classificada como morna, é que o candidato do PMDB, Eduardo Paes, acusou ontem pessoas próximas ao adversário de estarem por trás de uma suposta campanha de difamação na Internet: "Já temos comprovações de algumas pessoas ligadas à candidatura do Gabeira. Vamos encaminhar à Justiça Eleitoral já comprovando a conexão de quem faze estes e-mails apócrifos pela Internet contando milhões de mentiras a meu respeito".


O Dia