Atualizada às 01h02
Eduardo Paes não caminha apressado somente em época de campanha eleitoral. O compasso rapidinho com que o candidato do PMDB a prefeito do Rio percorre as ruas esburacadas e calçadas desniveladas da cidade se verifica no ritmo lépido em que toca toda a sua vida. Desde menino, pisa firme no acelerador da própria história: rumo ao futuro, olhos e esforços voltados para destinos além do horizonte visível à maioria em volta. Não à toa, registra marca de 16 anos de estrada pública ainda antes dos 39 - que alcançarão o escorpiano em 14 de novembro.
Dos tempos de estudante da PUC-Rio, na Gávea, e, antes disso, do Colégio Santo Agostinho, no Leblon, não há registro de ter sido exatamente o aluno mais comportado. Mas despontou como líder aos 16, quando já pensava em se tornar político, ao devanear nas aulas de história e geografia, as preferidas. Mal formou-se em direito - sequer tirou a carteira da OAB, motivo de gozação do ex-adversário e hoje aliado Vladimir Palmeira, do PT - e Paes virou homem público, como discípulo de Cesar Maia.
O adolescente que atuou como intransigente fiscal do Sarney - chegou a parar em delegacia com denúncia de guaraná de preço superestimado - aos 23 já, era, em 1993, subprefeito de Maia. Destacou-se como disciplinado síndico da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, na zona oeste, com a missão de impor ordem à expansão daquela região, então a pleno vapor. Ficou conhecido, assim como os demais subprefeitos daquela gestão, como prefeitinho e tomou mesmo gosto pela coisa pública.
O sucesso como executivo na administração municipal fez de Paes o vereador mais votado do Rio de 1996, com 82.418 eleitores, pelo PFL. Isso depois de deixar o PV, o seu primeiro partido e o qual agora enfrentará nas urnas, assim como ao PSDB, que o acolheu já no mandato de deputado federal.
Como parlamentar, ele se revelou audaz. E contundente nas acusações desferidas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de "chefe de quadrilha" em 2005, no contexto da CPI dos Correios. Na última semana, Paes pediu desculpas, tornadas públicas, ao presidente, em troca de seu apoio político de fato, e não apenas formal, na campanha que agora tem como aliado o PT. O arrependimento de Paes teve eco. O presidente deixou para trás a mágoa, compartilhada com dona Marisa Letícia, destinatária de elegante carta rogatória de perdão, assinada pelo candidato do PMDB.
Por duas vezes Paes foi secretário: de Meio Ambiente, pelo município, e de Turismo, Esporte e Lazer, pelo Estado. No primeiro momento, ainda não havia rompido com o antigo tutor político. No segundo, já atuava pelo PMDB e sob as bençãos do governador Sérgio Cabral.
O rompimento com Cesar Maia se deu em processo de desgaste que levou as partes a demonstrarem hoje um sentimento parecido com o ódio. E há mais de uma versão para o imbróglio. Segundo o próprio Paes, o afastamento foi voluntário e motivado pela percepção de que o antigo mestre "não era mais aquele fantástico administrador da primeira gestão" e "teria mudado muito".
Segundo fontes do mundo político municipal, Paes teria destruído planos políticos de Maia ao se recusar a concorrer a governador em 2002, optando pelo mandato de parlamentar federal. Por detrás da desmotivação de Paes, estaria uma disputa com Rodrigo Maia, filho do prefeito, político em ascensão e de perfil diverso do de Paes, mas voltado para a articulação política nacional.
JB Online