Amazonas

Sábado, 11 de outubro de 2008, 15h29 Atualizada às 22h18

Amazonas elege seus primeiros prefeitos indígenas

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O resultado das eleições municipais de 2008 passará a ter um significado especial para os povos indígenas do Amazonas. É que, pela primeira vez na história das eleições brasileiras, uma cidade escolheu prefeito e vice-prefeito indígenas: São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do estado. Outro município, Barreirinha, no Baixo Amazonas, também vai ser administrado a partir de janeiro de 2009 por prefeito indígena.

São Gabriel da Cachoeira, que fica a 858 km de Manaus, elegeu para prefeito Pedro Garcia, da etnia tariana, e para vice-prefeito, André Baniwa, da etnia Baniwa. Foram 12.319 votos válidos, e eles tiveram 51,68% da preferência do eleitorado. No município, nove de cada dez habitantes são comprovadamente indígenas. É o município com maior número de índios no país.

O vice-prefeito eleito, André Baniwa, disse que a vitória eleitoral é resultado do amadurecimento político do povo indígena. Segundo ele, saúde e educação serão prioridade na próxima administração.

"Há necessidade de reconhecimento e legalização das escolas indígenas, formação de professores e qualificação dessa categoria. Terão prioridade no município saúde, infra-estrutura e segurança, além de ações que busquem alternativas de renda para a população", informou Baniwa.

Em Barreirinha, a 331km de Manaus, Mecias Satere Mawe, foi eleito prefeito com 33,1% dos votos válidos.

Para o diretor do Centro Amazônico de Formação Indígena e presidente do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas, Domingo Sávio Camico, o resultado das eleições nos dois municípios é uma conquista histórica para os povos indígenas.

"Em São Gabriel da Cachoeira, por exemplo, apesar de 95% da população ser indígena, existem pouco mais de 10 anos de vida política entre esses povos", destacou.

O principal desafio das prefeituras indígenas é garantir a realização de administrações para todos, sem distinção de povos, raças, cor ou religião, afirmou Camico.

"Respeitar as diferenças é o principal desafio, servindo de modelo para outros municípios onde haja minorias que lutam por igualdade para todos, não apenas para os indígenas. É colocar em prática o que eles defenderam em suas campanhas."

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), seis indígenas já dirigiram prefeituras em cidades brasileiras.


Agência Brasil