Atualizada às 08h17
Uma conversa ao telefone do candidato do PV, Fernando Gabeira, ouvida por repórteres repercutiu mal justamente entre os eleitores que são mais preciosos para ele no segundo turno.
O deputado afirmou que a vereadora Lucinha (PSDB), que integra sua coligação, teria uma "visão suburbana" sobre a construção do Aterro Sanitário de Paciência e seria uma "analfabeta política". Moradores das zonas Norte e Oeste consideram comentário sobre aterro sanitário preconceituoso.
A parlamentar, que foi a mais votada do Rio, com mais de 68 mil votos, a maioria deles na região, recebeu ontem telefonema de Gabeira desmentindo a frase e elogiando sua trajetória política. "Senti sinceridade nele. Acho que foi um mal-entendido", afirmou a vereadora.
O tratamento dado ao subúrbio desagradou ao funcionário público Jorge Tomaz, 58 anos, de Campo Grande. "Não gostei do que ele disse. Para mim, ele não conhece a região. Só deve ter vindo aqui como candidato. Se ele entende muito da Zona Sul, por que ele não faz o lixão na Zona Sul, então?", perguntou.
Para estudante Vivian Farias, 25, achou desrespeito. "Querer discutir a criação de um lixão é um direito de quem vive em uma região. Isso desvaloriza qualquer lugar. Ele deveria repensar o que disse sobre a Zona Oeste", disse.
O DJ Marlboro, que percorre todo o circuito de bailes do subúrbio, propôs uma nova interpretação da expressão "visão suburbana". "A Lucinha deveria tomar como elogio, porque ter uma visão suburbana é ter uma visão das necessidades da maioria da população carioca. A visão inversa é que é elitista, preocupada apenas com uma minoria. O Gabeira foi infeliz ao fazer essa associação", disse. Para o compositor Dicró, o candidato pisou na bola: "Foi um gol contra dele. Acho que os suburbanos devem ficar revoltados com essa declaração. Eu espero que o novo prefeito tenha um olhar voltado também para o subúrbio, porque aqui falta iluminação, escolas, hospitais. Falta tudo".
O Dia