Rio de Janeiro (RJ)

Sexta, 10 de outubro de 2008, 08h18 Atualizada às 08h17

Gabeira revolta suburbanos no Rio

  • Notícias

Uma conversa ao telefone do candidato do PV, Fernando Gabeira, ouvida por repórteres repercutiu mal justamente entre os eleitores que são mais preciosos para ele no segundo turno.

O deputado afirmou que a vereadora Lucinha (PSDB), que integra sua coligação, teria uma "visão suburbana" sobre a construção do Aterro Sanitário de Paciência e seria uma "analfabeta política". Moradores das zonas Norte e Oeste consideram comentário sobre aterro sanitário preconceituoso.

A parlamentar, que foi a mais votada do Rio, com mais de 68 mil votos, a maioria deles na região, recebeu ontem telefonema de Gabeira desmentindo a frase e elogiando sua trajetória política. "Senti sinceridade nele. Acho que foi um mal-entendido", afirmou a vereadora.

O tratamento dado ao subúrbio desagradou ao funcionário público Jorge Tomaz, 58 anos, de Campo Grande. "Não gostei do que ele disse. Para mim, ele não conhece a região. Só deve ter vindo aqui como candidato. Se ele entende muito da Zona Sul, por que ele não faz o lixão na Zona Sul, então?", perguntou.

Para estudante Vivian Farias, 25, achou desrespeito. "Querer discutir a criação de um lixão é um direito de quem vive em uma região. Isso desvaloriza qualquer lugar. Ele deveria repensar o que disse sobre a Zona Oeste", disse.

O DJ Marlboro, que percorre todo o circuito de bailes do subúrbio, propôs uma nova interpretação da expressão "visão suburbana". "A Lucinha deveria tomar como elogio, porque ter uma visão suburbana é ter uma visão das necessidades da maioria da população carioca. A visão inversa é que é elitista, preocupada apenas com uma minoria. O Gabeira foi infeliz ao fazer essa associação", disse. Para o compositor Dicró, o candidato pisou na bola: "Foi um gol contra dele. Acho que os suburbanos devem ficar revoltados com essa declaração. Eu espero que o novo prefeito tenha um olhar voltado também para o subúrbio, porque aqui falta iluminação, escolas, hospitais. Falta tudo".


O Dia