Rio de Janeiro (RJ)

Terça, 7 de outubro de 2008, 10h18 Atualizada às 11h33

Cabral quer tropas no Rio após eleição

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Com os militares se preparando para deixar o Rio de Janeiro, o que pode acontecer até mesmo antes do segundo turno, o governador Sérgio Cabral já negocia com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a permanência deles no Estado.

"Mesmo que não seja o que nós desejamos, mas que durante todo o ano e fora das eleições eles possam nos ajudar. Quem sabe em algumas regiões, com apoio estratégico. Mas que as Forças Armadas tivessem mais integradas na nossa luta no combate à criminalidade. Seria ótimo se pudéssemos contar o tempo inteiro com esse apoio", disse Cabral.

Sobre a presença dos militares no segundo turno, o governador conversou no domingo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ayres Brito. "A experiência foi boa e deu tranqüilidade. Falei com o presidente Aires Brito agradeci a ele o envio das tropas e reiterei o meu desejo de que ela continue", contou Cabral.

O governador espera receber apoio no segundo turno do PT, PDT, PSC e PSB e comentou que está entusiasmado com a candidatura de Eduardo Paes. "Os partidos estão discutindo. Temos expectiva de a base esquerda estar ao nosso lado", espera Cabral. O governador criticou o discurso de Fernando Gabeira que disse que ia conversar direto com a população se fosse eleito.

"Conversar com a população sempre, mas dizer que prefere a população aos partidos? A sociedade é organizada. Tem que respeitar o poder Legislativo e respeitar os partidos. A sociedade democrática se dá assim. Dizer que não quer apoio de partido é muito engraçado", ironizou o governador, lembrando que o vice de Gabeira é do PSDB e que ele indicou Alfredo Sirkis, vereador reeleito, para secretário de Urbanismo de Cesar Maia.

"Então, ele fez um acordo político que deu tempo de televisão para ele. O Sirkis foi indicado pelo Gabeira. Ele não quer indicação, mas ele indicou. Aliás, a desordem urbana está aí. A esculhambação urbana", criticou Cabral fazendo questão, no entanto, de dizer várias vezes que Gabeira é honesto. "É como se isso (aliança) não existisse. Parece que veio de Marte. Ele faz política sim e negocia sim. É como se tivesse um candidato que caiu da nuvem. Ele não precisa usar esse artifício para conquistar mentes e corações".


TRE
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decide nesta terça-feira se vai solicitar a permanência das tropas federais no Rio durante o segundo turno. Se a proposta for aprovada, conforme o presidente do Tribunal, desembargador Alberto Motta Moraes, os militares atuarão apenas no dia da votação. O TRE não deverá repetir o esquema de ocupação de comunidades antes da eleição.

Além do Rio, as tropas deverão atuar também em Petrópolis. As duas cidades são as únicas do Estado onde haverá segundo turno. Caso a votação ocorra também em Campos, os militares também voltarão às ruas da cidade.

A tendência é de que a permanência das tropas seja aprovada. A tese tem o apoio do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto. Ele avaliou ontem como necessária a manutenção das forças federais no Rio para o segundo turno. Ayres Britto disse que a decisão caberá ao TRE-RJ.


O Dia