Porto Alegre (RS)

Segunda, 6 de outubro de 2008, 11h30 Atualizada às 11h41

Luciana Genro: Psol não fará alianças no 2º turno

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Fabiana Leal
Direto de Porto Alegre

A candidata Luciana Genro (Psol), que ficou em quarto lugar na eleição para a prefeitura de Porto Alegre (RS), afirmou que o partido não fará alianças para o segundo turno. Segundo ela, o Psol não tem identidade política com as candidaturas de José Fogaça, que teve 43,85% dos votos válidos, e de Maria do Rosário (PT), que ficou na segunda colocação, com 22,73%. Apesar de não abrir o voto, acredita que o voto branco ou nulo são alternativas legítimas. "Como eu vou votar, não vou revelar, pois seria uma maneira de induzir. Meu voto vai ficar secreto."

"Está definido que não vamos indicar o voto em ninguém. Fizemos a nossa parte. O Psol apresentou a sua proposta e não temos identidade política com nenhuma das candidaturas. Não vamos fazer balcão de negócios nem loteamento de cargos. A maioria do eleitorado escolheu. O nosso eleitorado vai fazer seu próprio juízo", afirmou a filha do ministro da Justiça, Tarso Genro.

Embora tenha ficado em quarto lugar, com 9,22% dos votos válidos, atrás de Fogaça, Maria do Rosário e Manuela D'Ávila (15,35%), Luciana considerou a participação da coligação Psol-PV expressiva e vitoriosa.

"Trabalhamos com uma estrutura partidária muito frágil, pequena, mas ganhei de dois candidatos de grandes partidos - DEM (Onyx Lorenzoni) e PSDB (Nelson Marchezan Junior) -, que tinham mais recursos e mais tempo na televisão. O mais importante é que conseguimos mostrar uma alternativa de poder, que existe uma esquerda socialista coerente, que continua na luta contra a corrupção e que segue insistindo que é possível (se eleger e governar) sem trair os compromissos de campanha", afirmou.

Luciana disse que gostaria que uma parcela maior da população desse valor à luta contra corrupção. De acordo com ela, houve uma banalização da corrupção na política. "Parte da população está acostumada com essa banalização. Eu lamento que seja assim. Vou continuar para reverter esse quadro."

O teto de gasto da campanha de Luciana era de R$ 500 mil. Ela acredita que os gastos tenham ficado entre R$ 200 mil e R$ 250 mil.

Polarização da disputa
Luciana disse que sentiu, após o último debate na TV, um aumento significativo das pessoas que diziam que deixariam de votar no Fogaça, na Manuela e na Maria do Rosário para votar nela. No entanto, acredita que perdeu votos devido à polarização da disputa entre as duas candidatas.

"Perdi parte dos votos devido à polarização da Rosário com a Manuela. O famoso voto útil (voto em determinado candidato para elegê-lo ou para não eleger o outro), mas estou muito satisfeita. Para deputada federal, tive 7,5% dos votos em Porto Alegre. Agora cheguei a mais de 9% para o executivo", disse Luciana.

A candidata do Psol creditou a ida de Maria do Rosário para o segundo turno, após as pesquisas mostrarem empate técnico entre a candidata petista e Manuela, a uma trajetória mais enraizada do PT em Porto Alegre. Segundo ela, a aliança do PCdoB com o PPS é uma "incoerência".

"Embora eu veja o PT esvaziado, ele tem uma trajetória mais enraizada na cidade do que tem o PPS e PCdoB. Tanto PCdoB quanto PPS são partidos frágeis, embora eles tiveram muito dinheiro na campanha. A Manuela não conseguiu se apresentar com alternativa mais à esquerda. Era uma candidatura oca. Um belo rosto, uma candidata carismática, mas de conteúdo muito vazio", disse. A candidatura de Manuela contou ainda com o apoio de PR-PTdoB-PMN-PSB-PTN.

Luciana disse que não cabe a ela arriscar um resultado no segundo turno das eleições em Porto Alegre. "Cabe aguardar. São dois projetos muito parecidos. Os dois candidatos são da base do governo Lula e representam uma mesma proposta nacional. Embora tenham diferenças em Porto Alegre, as candidaturas na essência são muito parecidas."

Tarso Genro
Luciana afirmou que almoçou ontem com o pai, mas depois da finalização da apuração das urnas, não falou mais com Tarso. "Ele foi para São Paulo e não consegui falar com ele. Minha mãe me deixou um recado no telefone - disse que os dois estavam orgulhosos. Eu tenho a convicção de que ele votou em mim. Mas ele certamente tem suas obrigações partidárias", disse.

Planos políticos
A candidata do Psol, que é deputada federal, disse que vai continuar o mandato e dará seguimento à luta política de dar alternativas a Porto Alegre e ao Brasil, com a presidente nacional do partido e vereadora eleita de Maceió (AL), Heloísa Helena. Perguntada se cogita uma vaga no Senado, ela disse que não está fazendo planos para isso.


Redação Terra