Curitiba (PR)

Domingo, 5 de outubro de 2008, 23h24 Atualizada às 02h53

Gleisi parabeniza Beto e avisa que manterá crítica política

Gleisi disse que espera que o prefeito cumpra o que prometeu
Gleisi disse que espera que o prefeito cumpra o que prometeu
Elias Dias/Divulgação

Roger Pereira
Direto de Curitiba

A candidata à prefeitura de Curitiba Gleisi Hoffmann, pela Coligação Curitiba Para Todos (PT-PSC-PRB-PHS-PMN-PTC), parabenizou o prefeito Beto Richa pela vitória e avisou, em entrevista coletiva, que irá cobrar a realização das propostas feitas por ela e que foram incorporadas pelo prefeito ao longo das eleições, como o fim das filas nas creches e nos postos de saúde, a educação em tempo integral e a profissionalização dos jovens.

"Desejo boa sorte e sucesso ao prefeito e quero dizer que o que eu puder fazer pela cidade eu vou fazer. Espero que o prefeito agora cumpra tudo o que prometeu, especialmente as minhas propostas que ele incorporou ao seu discurso. Manterei minha postura de fiscalização e crítica política", disse Gleisi.

Para Gleisi, alguns fatores conjugados foram decisivos para o resultado da eleição. "Em primeiro lugar, foi a boa avaliação do atual prefeito e sua popularidade construída ao longo de três anos e meio com uma propaganda intensa. Há também a boa avaliação que a prefeitura de Curitiba tem com seus eleitores que independe até de quem esteja no poder. Por último, o bom momento político e econômico vivido no País que favorece quem está no poder", explicou.

Gleisi disse ainda que o prefeito também foi beneficiado pela falta de uma oposição sistemática ao seu governo. "Uma campanha se faz com acúmulo de ações políticas e não em um dia só. Não podíamos reverter em apenas três meses tudo o que foi feito praticamente sem oposição em três anos e meio", explicou. Para Gleisi, o tempo desigual na TV também prejudicou sua disputa com o prefeito que dispunha do dobro do tempo para propaganda eleitoral gratuita.

Sobre as pesquisas, a candidata explicou que questionou judicialmente uma única pesquisa do Ibope que mostrou uma redução de 16 para 13% suas intenções de voto em um momento que levantamentos internos a mostravam com quase 20%. "Aquela pesquisa jogou um balde de água fria na nossa militância, na campanha como um todo e até em muitos eleitores. Demoramos quase dez dias para rearticular nossa campanha e isso nos trouxe prejuízos permanentes. Por isso, decidi não mais comentar nenhuma pesquisa eleitoral e esperar o resultado das urnas", explicou.

Ainda durante a entrevista, Gleisi lamentou o fato de não ter segundo turno e não poder debater frente a frente com o prefeito. "Dos cinco debates realizados no primeiro turno, o prefeito não compareceu em três e isso impossibilitou que tivéssemos um debate direto das propostas e problemas. É a cidade que perde e nós vamos sentir o resultado disso daqui uns seis ou sete anos", falou.

Gleisi Hoffmann, que recebeu 18,17% dos votos válidos disse que sai feliz e fortalecida destas eleições. "Aprendi muito nesta campanha e só tenho a agradecer aos curitibanos que me receberam muito bem em suas casas, em seus bairros, em seus comércios, especialmente às mulheres, homens e crianças que sempre foram tão carinhosos comigo. Saio muito feliz desta campanha", disse.

A candidata também agradeceu o apoio que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A participação do presidente foi na medida certa. A vinda dele estava prevista e iria coincidir com um compromisso que ele tinha no interior do Estado, mas estourou a crise e ele teve que ir para a Bolívia. Eu só tenho a agradecer ao presidente", disse.

Gleisi informou que agora irá reorganizar sua vida pessoal e profissional retomando ainda suas atividades como presidente Estadual do PT. "Quero ficar com meus filhos e retomar as discussões no partido, fazer nossas avaliações", finalizou.


Especial para Terra