Campo Grande (MS)

Domingo, 5 de outubro de 2008, 17h10

MS: seções "desaparecem" e confundem eleitor

Alvaro Marzochi
Direto de Campo Grande

Alguns eleitores de Campo Grande (MS), que enfrentaram a chuva nesta manhã para votar, acabaram voltando para casa decepcionados. Com algumas mudanças feitas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), várias seções foram agregadas a outras ou mudaram de Zona Eleitoral, deixando a população confusa.

Na Escola Estadual Teotônio Vilela, o maior colégio eleitoral de Campo Grande, com 15 seções e 5.867 eleitores, a dificuldade em encontrar onde votar foi agravada pela falta de funcionários do TRE. "Devia ter um funcionário, mas a gente só se dá conta de que vai precisar quando acontece a eleição", afirmou o juiz eleitoral Odemilson Roberto de Castro Fassa.

A fiscal Silmara Alves aproveitou para tomar a frente de uma "banca de informações" e ajudar os eleitores que não encontravam as seções enquanto o funcionário do TRE não chegava. "É interesse meu que as pessoas votem, porque meu candidato tem grande número de votos nessa região", argumentou.

Fassa classificou a atitude como boca-de-urna e pediu que a fiscal se retirasse da escola. Silmara se defendeu dizendo que o serviço que prestava era voluntário, apenas para ajudar os eleitores perdidos. "Eu tenho testemunhas de que eu não estava fazendo propaganda eleitoral para nenhum candidato".

O juiz foi irredutível e pediu para que a polícia a retirasse do local. "Como ela mora no bairro e fez propaganda para candidato, só o fato dela estar aqui passando informação já é boca de urna", justificou. Perto das 11h30, um funcionário do TRE chegou ao colégio, o que ajudou a acalmar a situação.

Mudanças
A confusão aconteceu porque as 8ª, 35ª, 36ª e 54ª Zonas Eleitorais sofreram alterações, segundo o TRE, para melhorias na distribuição de eleitores, fechamento de colégios e reformas não concluídas antes das eleições.

"Esse é o único colégio que está tendo problema. O TRE divulgou as mudanças até na televisão, mas muita gente deixou para ver isso só hoje", explicou Fassa, acrescentando que a falta de listas para ajudar na localização dos eleitores acabou agravando a situação. "Como são várias seções, é difícil viabilizar tantas listas".

Este foi o caso da aposentada Aparecida Nunes, 66 anos, que só ficou sabendo da mudança quando chegou na escola. "Moro aqui há 22 anos e agora minha seção mudou para a Chácara das Nações. Eu nem sei onde fica isso. Não vou ter como votar", lamentou.

Alguns eleitores estavam em situação ainda pior. O pintor Paulino Alves da Silva sequer sabia para onde sua seção foi mudada "Estou aqui esperando há uma hora e ainda não sei pra onde vou".


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