Eleições 2008

Domingo, 5 de outubro de 2008, 08h18 Atualizada às 08h28

Eleitores aguardam nas esquinas para vender voto em Boa Vista

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Cyneida Correia
Direto de Boa Vista

Os moradores dos bairros periféricos de Boa Vista, capital de Roraima, passaram a madrugada em frente a casas, esquinas e paradas de ônibus, aguardando a oportunidade de ganhar algum benefício a eleição.

Em todas as ruas dos bairros, pequenos grupos aguardavam a passagem dos candidatos com dinheiro, cestas básicas ou presentes. Apesar do policiamento ostensivo da Polícia Federal e das polícias Civil e Militar do Estado, eles não tinham vergonha de mostrar claramente que estavam ali para vender o voto.

"Moça um dinheirinho aí para passar a eleição", gritou Maria das Graças, moradora do Conjunto Cidadão, um dos bairros mais afastados do centro da cidade.

Ela contou que juntamente com os vizinhos, aguardava a chegada das pessoas que sempre levam notas de R$ 50,00 ou R$ 100,00 enroladas em santinhos e jogam para aqueles que têm paciência de aguardar.

"Nós sempre ficamos acordadas na véspera da eleição. Saímos daqui somente quando o dinheiro chega e até hoje nunca faltou. Sempre eles dão um jeito de nos pagar para votar", contou despreocupadamente a professora Jéssica Oliveira, 25. Ela disse que é um hábito nas eleições este tipo de prática em Boa Vista.

A maioria dos moradores estava com crianças pequenas e até mesmo bebês e não se intimidavam com a presença do policiamento ou da reportagem. "Este ano está demorando mais do que os outros, porque tem muita polícia rondando aqui e 'eles' não estão entrando no bairro. Mas vamos ficar aqui até ganharmos algo. Quero pelo menos R$ 50,00 pelo meu voto", disse a dona de casa Raimunda do Socorro.

A espera durou até 5h deste domingo e como forma de despistar o policiamento, os candidatos utilizavam motocicletas para entregar dinheiro aos moradores.

O capitão Antônio Pires, oficial da Polícia Militar que estava no comando da operação na véspera da eleição, explicou que a prática de aguardar nas madrugadas dinheiro de candidatos é rotineira em Roraima.

"Os moradores desses bairros periféricos acham que está dentro da normalidade oferecer seu voto nas esquinas. Fizemos revistas ostensivas nos carros que passavam por esses bairros, mas não conseguimos pegar nenhum veículo com dinheiro. Depois descobrirmos que possivelmente as motocicletas podiam estar sendo utilizadas nessa compra de votos", explicou.


Especial para Terra