Recife (PE)

Sexta, 3 de outubro de 2008, 08h56 Atualizada às 09h23

Impugnação de João da Costa dominou debate em Recife

  • Notícias

Candidato do PT foi o alvo no debate em Recife
Candidato do PT foi o alvo no debate em Recife
Gabriela Belém/Especial para Terra

Gabriela Belém
Direto de Recife

Apesar da usual troca de acusações e tensão comuns a qualquer campanha política, os candidatos à prefeitura do Recife que participaram do debate da TV Globo, na noite desta quinta-feira, no Chevrolet Hall, em Olinda, promoveram uma discussão de alto nível. O ponto mais polêmico já era esperado - a cassação do registro do candidato João da Costa (PT), que mesmo assim continua em campanha.

Falando aos jornalistas antes de começar o debate, João da Costa afirmou que a oposição fez um golpe articulado contra a sua candidatura. O petista responde em segunda instância a um processo por suposto uso da máquina pública em favor de sua campanha.

"A articulação é de golpe, de dizer que eu não sou mais candidato. É uma articulação de Mendonça, Raul e Edílson. Tem sido articulado porque os programas deles na propaganda eleitoral mostraram isso. E qual foi o resultado disso até agora? A gente está mudando a cidade, o Estado e o País. Só lhes restam os antigos métodos", declarou João da Costa.

O candidato ainda disse estar confiante numa vitória no primeiro turno neste domingo. Segundo a última pesquisa de opinião divulgada pelo instituto Datafolha, ele te 46% das intenções de voto.

Carlos Eduardo Cadoca (PSC), Edílson Silva (Psol), João da Costa (PT), Mendonça Filho (DEM) e Raul Henry (PMDB) estiveram presentes. Roberto Numeriano (PCB) e Kátia Telles (PSTU) não compareceram porque somente os candidatos de partidos ou coligações com representação no Congresso Nacional foram convidados pela emissora a participar do evento.

Cada pergunta podia ser feita durante 30 segundos, com direito a resposta de dois minutos, réplica de 45 segundos e tréplica de 15 segundos.

Farpas
No primeiro bloco, os temas discutidos foram oportunidades de emprego, menores de rua, lixo, pavimentação e moradia no Recife. No entanto, o clima esquentou a partir da formulação de questões entre os candidatos no segundo bloco, quando Mendonça Filho perguntou ao candidato Raul Henry sobre a cassação do registro da candidatura de João da Costa. "Na verdade, ele já está cassado. O eleitor pode perder seu voto, caso ele seja cassado também nas próximas instâncias da Justiça. E felizmente a Justiça se pronunciou sobre isso", disse o peemedebista.

Em seguida, Mendonça continuou: "Simplificaram o caso como se fosse uma simples troca de e-mail. Há nos autos a comprovação de servidores fazendo campanha para João da Costa em pleno horário de expediente. É lamentável, inaceitável", completou o candidato do DEM.

No terceiro bloco, a direção da TV Globo deu direito de resposta a João da Costa por ter sido citado como criminoso. "Estou sendo acusado por ações de terceiros, por servidores que mandaram e-mails convidando para a minha campanha na Secretaria de Educação do Recife", disse.

O petista contra-atacou mencionando um processo de improbidade administrativa pelo qual o candidato Raul Henry se defende no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relativo à época em que era secretário do ex-prefeito e atual senador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos. "E nem por isso eu acho que Raul seja um criminoso", disse João da Costa".

No terceiro bloco, Edílson Silva continuou a troca de farpas quando enfatizou que todos os candidatos presentes já estiveram no poder e nada fizeram pelos servidores. "Vamos acabar com os cabos eleitorais", disse. Cadoca falou sobre transportes e valorização do funcionalismo público junto com o candidato do Psol.

Números e mais farpas
No outro bloco destinado a perguntas livres, os candidatos voltaram a trocar acusações. Cadoca perguntou a Mendonça Filho sobre segurança na cidade. Depois foi a vez do democrata acusar a prefeitura do PT no Recife de ter os piores índices do País no Ideb, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Costa contra-atacou dizendo que Recife não está na 25ª posição do ranking nacional, mas na 16ª posição.

"Todos os dados que João da Costa citou são mentirosos", afirmou. O petista rebateu dizendo que quando Mendonça era governador o estado alcançou o pior índice do Brasil no Ideb e que Pernambuco também tinha os piores índices de homicídios e mortalidade infantil.

Repercussão
O candidato do PSC, Carlos Eduardo Cadoca, elogiou o nível do debate. "Achei de muito bom nível. Esquentou uma hora, mas é natural na reta final da campanha. Foi interessantíssimo para chamar o eleitor para o segundo turno".

O único que disse se sentir injustiçado foi Raul Henry. "Acho que o debate é sempre uma coisa positiva, mas acho que não foi justo comigo. Falei de um crime eleitoral se referindo ao processo de cassação de registro de candidatura pelo qual passa o petista. Não foi uma ofensa pessoal. Se João da Costa teve direito de resposta, eu também merecia, porque fui mencionado na fala dele. O debate é curto para você avaliar todas as questões, mas televisão é assim mesmo", declarou.

O candidato do Psol, Edilson Silva, disse que teve um desempenho melhor do que os outros candidatos. "E claro que dá para ir ao segundo turno. Somos a única candidatura alternativa de fato". Ao chegar no Chevrolet Hall, Edilson disse que tinha um documento que seria uma surpresa para o debate, que não foi mencionada no debate nem depois. "Vamos agora tomar um uísque?", perguntou a seus assessores, encerrando a entrevista.


Especial para Terra