Campo Grande (MS)

Sexta, 3 de outubro de 2008, 07h47 Atualizada às 07h58

Ataques ao prefeito marcam último debate em Campo Grande

A candidata  Iara Costa (PMN) fez duras críticas ao prefeito durante o debate
A candidata Iara Costa (PMN) fez duras críticas ao prefeito durante o debate
Alvaro Marzochi /Especial para Terra

Alvaro Marzochi
Direto de Campo Grande

O último debate entre os candidatos a prefeito de Campo Grande, realizado pela TV Morena, foi marcado pelas críticas e ataques ao atual prefeito Nelson Trad Filho (PMDB). Os outros candidatos, Pedro Teruel (PT), Iara Costa (PMN), Henrique Martini (Psol) e Suél Ferranti (PSTU) aproveitaram o espaço na TV para apontar problemas na capital, como a saúde.

Quem começou com as perguntas foi Iara Costa, que questionou Trad sobre o atendimento nos postos de saúde. O prefeito se defendeu dizendo que o município investe 32,8% do orçamento na saúde, além de ter contratado 323 novos médicos e 1,8 mil funcionários. "Saúde não se resolve de uma hora para outra", afirmou.

E no decorrer do debate, praticamente todos os outros temas, como cultura, empregos, asfalto e programas sociais, também serviram de ponto de partida para críticas à atual administração municipal. "Temos que tratar as pessoas com dignidade e não como se fosse um favor", salientou Henrique Martini.

Educação
Ao formular uma pergunta à Teruel, segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, Trad aproveitou para lembrar que o ensino público de Campo Grande é premiado e considerado o melhor do Brasil.

O petista respondeu dizendo que o prefeito foge dos problemas, como segurança e violência, e prefere falar somente das coisas boas. "Quem deveria ser contemplado por este prêmio que a educação ganhou são os professores, com planos de cargos e carreiras, pois são eles que ensinaram", disse Teruel.

Trad se justificou. "Uma cidade do tamanho de Campo Grande tem problemas sim", e aproveitou para ressaltar o investimento nos docentes. "Mil e setecentos professores fizeram pós-graduação e tiveram 71% de aumento acima do salário mínimo".

O candidato Suél Ferranti lembrou que alguns bairros ainda não contam com creches e chegou a afirmar que elas devem funcionar 24 horas por dia. "Campo Grande é uma cidade que não dorme mais", argumentou.

Habitação
A entrega de moradias populares à população carente também foi alvo de ataques. "A população não deve ficar esperando um favor do Estado, uma casa com 30 metros quadrados, menor que o banheiro dos próprios governantes", criticou Henrique Martini, no que foi seguido por Iara Costa. "As casas tem que ter acabamento por dentro e não só por fora para fazer a foto", afirmou a candidata.

Trad apontou que foram construídas 8.054 casas populares em sua administração e para o próximo mandato já prometeu engenheiro, material de construção e mão de obra para quem tiver um terreno, como forma de preencher os vazios urbanos.

Ataques
Por mais de uma vez, Trad afirmou que seus concorrentes eram desinformados. A principal foi quando questionou Iara Costa sobre a emenda 29, que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, Estados e municípios.

A candidata fugiu da pergunta e devolveu para o prefeito antes de completar os dois minutos a que tinha direito. "A senhora não sabe o que é a emenda. Quem critica tem que ter propriedade e não vir aqui com maquiagem para iludir o eleitor", disparou Trad.

Ao final do debate, o prefeito contou que já esperava os ataques. "O que vimos foi um conluio entre meus adversários, que se uniram para me atacar", no que foi rebatido por Teruel. "O que houve foram quatro candidatos que andaram pela cidade e identificaram os problemas. Será que só ele não enxerga os problemas?".

Pedro Teruel aproveitou para reforçar mais uma vez a necessidade de um segundo turno. Já Trad se mostrou confiante. Ao ser perguntado se leva as eleições ainda no primeiro turno, respondeu "já levei" e após uma pausa completou "no primeiro turno em 2004. Agora é com o povo", concluiu.


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