Maceió

Sexta, 3 de outubro de 2008, 07h28 Atualizada às 07h27

Maceió: candidatos criticam prefeito ausente em debate

Apenas três candidatos compareceram ao debate
Apenas três candidatos compareceram ao debate
Bruno Soriano/Especial para Terra

Bruno Soriano
Direto de Maceió

O debate realizado pela TV Gazeta, afiliada Globo em Alagoas, entre candidatos a prefeito de Maceió foi resumido em críticas. Com a participação de apenas três dos cinco concorrentes, Solange Jurema (PSDB), Mário Agra (Psol) e Judson Cabral (PT) criticaram o candidato à reeleição Cícero Almeida (PP), que, ausente, não teve como se defender. O candidato Manoel de Assis não foi convidado porque seu partido (PSTU) não tem representatividade federal.

Com cinco blocos de apresentação de propostas, perguntas e considerações finais, o debate foi aberto pela candidata Solange Jurema (PSDB) lamentando a ausência do prefeito. Com a palavra, ela indagou o candidato Mário Agra (Psol) sobre se o mesmo faria uma administração transparente.

"Fiscalização e controle efetivo só se dão pela participação efetiva da sociedade civil organizada", afirmou o candidato do Psol. "A Prefeitura de Maceió vai arrecadar R$ 1 bilhão neste ano. O prefeito afirmou desconhecer esses números", alfinetou o candidato. "A dívida pública de R$ 354 milhões tem de ser auditada", emendou.

Ao ser perguntado sobre os projetos para a área social, o candidato Judson Cabral (PT) disse que sua primeira atitude à frente da prefeitura, caso eleito, será reabilitar a Secretaria de Assistência Social (descredenciada devido a não prestação de contas pelo Município) junto ao Governo Federal, a fim de que o mesmo volte a repassar recursos à pasta. "Temos de valorizar projetos de atenção ao idoso, à criança e adolescente, ao deficiente. Aplicou-se muito pouco nessas áreas, priorizando canteiros de obras. O atual prefeito gastou R$ 1,7 milhão com festejos", criticou o candidato petista.

Desenvolvimento urbanístico
Judson Cabral perguntou a Mário Agra o que o candidato pretendia fazer para evitar o avanço do mercado imobiliário no litoral norte de Maceió. "Aquela região está sendo liberada desordenadamente. É preciso ter cuidado com a área do Benedito Bentes (periferia de Maceió), por exemplo, que é para onde cidade deverá crescer", respondeu o candidato do Psol.

Em seguida, o petista lembrou o que ele considera que será, na região, outro obstáculo. "O acesso será um grande problema, pois, o trânsito ficará complicado. Seria importante se o prefeito estivesse aqui para comentar este problema", alfinetou.

Saúde
Judson perguntou a Mário Agra sobre quais suas propostas à Saúde. "A partir das cinco horas da manhã, uma verdadeira aberração se forma à porta dos postos, com longas filas. As políticas estadual e federal de saúde também são um desastre. Pagar R$ 23,00 pela realização de uma cirurgia é um desrespeito ao médico", disse Mário Agra.

"Detenho-me à realidade municipal. O atual prefeito investiu em apenas R$ 28 mil em saúde do idoso. Vou iniciar a reforma dos postos de saúde em Maceió. Pretendo fazer, em quatro anos, de 13 a 14 postos e reestruturar o Programa Saúde da Família", rebateu Judson Cabral.

Partidarismo
Em novo embate partidário, Agra perguntou a Judson porque ele se colocava como amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Estou com o presidente Lula desde a época em que ele foi candidato a deputado federal. Não porque ele é popular hoje. A minha satisfação é ao povo. Se não fosse o Lula, Maceió estaria numa situação bem pior", afirmou Judson.

Mário Agra voltou a indagar sobre composições políticas. Judson, enfático, respondeu: "Oitenta por cento das pessoas que sairam do PT e que foram para o Psol acabaram retornando. Nada disso vai afetar nossa campanha".

Orçamento: peça de ficção
Ao ser perguntada por Judson sobre como vai proceder com as finanças do município para 2009, Solange afirmou que o orçamento será discutido com a sociedade. "Vemos apenas algumas obras, mas a periferia está esquecida. Vamos debater o orçamento de 2010, porque o do próximo ano já está sendo aprovado. Sabemos que, muitas vezes, o orçamento é peça de ficção. Cabe à Câmara de Vereadores fiscalizar, pois, hoje, o prefeito gasta o dinheiro do jeito que quer", argumentou.

"Fiz a pergunta a você, mas ela seria ao prefeito. Cadê as escolas em tempo integral? Cadê os postos de saúde? É falta de compromisso com o povo. Não abandonaremos as grandes obras, mas é preciso priorizar o ser humano", disse o candidato petista.

Crime eleitoral
No penúltimo bloco, antes das considerações finais, Solange indagou a Mário Agra sobre o que ele achava do suposto crime eleitoral cometido pelo atual prefeito em utilizar a propaganda publicitária do IPTU em campanha eleitoral.

"Condeno. Ele utiliza a máquina pública em benefício próprio", criticou Agra, sendo complementado pela tucana: "O dinheiro que o prefeito está sendo acusado de desviar da Assembléia Legislativa de Alagoas quando deputado estadual poderia ter sido empregado em mais creches e postos de saúde", emendou Solange.

Já na tréplica, Agra afirmou que Cícero Almeida está sujeito a interesses de poderosos, procurando alianças para outros planos, já que cogita-se que ele saia candidato a governador em 2010.


Especial para Terra