Vitória (ES)

Sexta, 3 de outubro de 2008, 01h15 Atualizada às 04h03

Debate em Vitória é marcado por ataques a prefeito

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Alex Cavalcanti
Direto de Vitória

O debate entre candidatos a prefeito de Vitória (ES), realizado pela TV Gazeta, teve a presença de apenas três candidatos: João Coser (PT), Luciano Rezende (PPS) e Carlão (Psol). O atual prefeito petista foi o principal alvo dos ataques.

Bernardo Teteco (PRTB) e Avelar (PCO) ficaram de fora do debate porque seus partidos não possuem representação na Câmara dos Deputados.

No primeiro bloco, os candidatos fizeram perguntas entre si com temas definidos por sorteio. O primeiro a perguntar foi João Coser, que questionou Carlão sobre projetos para combate às drogas na cidade. O candidato socialista disse que a cidade vive um caos. "A prefeitura não enfrentou esse problema", afirmou Carlão. Coser rebateu afirmando que a adsministração municipal mantém um centro de tratamento para dependentes químicos e já teria colocado 6,3 mil crianças em regime de educação integral.

Os dois candidatos de oposição concentraram as perguntas mais contundentes no atual prefeito. Até quando as perguntas - em função das regras do debate - eram feitas entre Luciano e Carlão, as respostas traziam críticas à gestão atual.

Foi o caso da resposta de Carlão a Luciano Rezende sobre o tema saúde. Questionado acerca das propostas do Psol para a área, Carlão afirmou que "a prefeitura de Vitória é omissa" e que "o atual prefeito fez acordo com os médicos para garantir o pagamento de um piso salarial compatível com a média nacional e não cumpriu. Há insatisfação na categoria e isso se reflete no atendimento", pontuou Carlão. Como não podia se manifestar na rodada, Coser não respondeu.

O prefeito foi acusado por Luciano de investir mais em propaganda que em saneamento básico. "Essas informações não são verdadeiras", afirmou o prefeito, que completou: "se temos buracos na cidade é porque temos R$ 232 milhões em obras de saneamento que vão transformar Vitória na primeira capital do País com 100% do esgoto tratado", justificou.

Pela ordem do sorteio, Luciano Rezende podia perguntar novamente ao prefeito, e contra-atacou: "Não aceito ser chamado de desonesto. Quero saber o que o prefeito está fazendo para combater a poluição das águas e do ar".

Carlão, ao responder uma pergunta de Coser sobre propostas para educação, acusou o prefeito de não cumprir um acordo com o sindicatos dos professores para aumentar o número de vagas e investimentos na área. "Coser não cumpriu o compromisso com os professores, os mesmos que fez com os médicos. Candidato que faz acordo e não cumpre não tem credibilidade e não merece voto", disse Carlão.

As doações de campanha também foram discutidas. Carlão disse que a empresa Gautama, envolvida no escândalo da chamada máfia dos sanguessugas, foi uma das doadoras de recursos para a campanha eleitoral de Coser. O prefeito respondeu que a doação foi recebida pelo seu partido, o PT.

"Sou favorável ao financiamento público de campanha, mas enquanto isso não acontece, recebo as doações de qualquer empresa, como a lei permite. A doação dessa empresa foi articulada pelo partido e, quando recebi, não sabia dos problemas da empresa. Qualquer companhia que quiser doar dentro dos limites da lei, nós aceitamos", afirmou Coser.

Rezende perguntou a Coser quando o metrô de superfície sairá do papel. "Esse metrô só existe na cabeça confusa de alguém que fala isso para ganhar as eleições, fazendo isso de quatro em quatro anos. Quero que o prefeito responda, sem enrolar, quando começam as obras do metrô", disparou Rezende.

Coser afirmou que o projeto básico já está pronto e o projeto executivo já está sendo contratado. "Está na mão do presidente Lula. Eu nunca disse que o metrô vai ser construído em 25 anos", declarou Coser. Rezende ironizou em sua tréplica: "É difícil debater dessa forma. O prefeito não responde a nenhuma pergunta. Não disse quando a obra vai começar. O metrô só existe na cabeça confusa e no computador dele", afirmou Rezende.


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