Maceió

Quinta, 2 de outubro de 2008, 09h35 Atualizada às 13h57

Candidato à reeleição de Maceió é alvo de críticas em debate

Bruno Soriano
Direto de Maceió

O atual prefeito e candidato à reeleição Cícero Almeida (PP) não compareceu ao debate dos candidatos à prefeitura de Maceió (AL) promovido pela TV Alagoas (afiliada SBT), na noite de quarta-feira. O ex-vereador e também deputado estadual, que já havia faltado no debate de domingo, da TV Pajuçara (afiliada Record), foi bastante criticado pelos adversários presentes.

Foram citados desde seu indiciamento na Operação Taturana, da Polícia Federal, que investiga o desvio de recursos de quase R$ 300 milhões dos cofres da Assembléia Legislativa de Alagoas, até a acusação de utilização da máquina pública durante campanha. Com isso, o debate foi pouco propositivo.

Participaram do encontro os candidatos Judson Cabral (PT), Manoel de Assis (PSTU), Solange Jurema (PSDB) e Mário Agra (Psol).

"Transformou-se Maceió em um grande canteiro de obras, mas o desrespeito ao cidadão é total", argumentou o candidato Judson Cabral, abrindo o debate. O candidato Mário Agra completou, lembrando o fato de Almeida ter iniciado, como repórter policial, na própria TV Alagoas. "Aqui ele deu um verdadeiro beijo de Judas, traindo quem o ajudou ao faltar a este debate", comentou.

Já a candidata Solange Jurema citou o fato de a Secretaria Municipal de Assistência Social ter sido desabilitada devido a não prestação de contas pela Prefeitura, que deixou de receber recursos federais. "São 372 pessoas com idade acima dos 18 anos, sendo a maioria homens, que estão nas ruas da cidade. A Prefeitura inaugurou um abrigo, que não deu conta, depois de muita pressão", criticou a candidata.

Em resposta à pergunta de internauta, Solange prometeu investir em iluminação e espaços de lazer para combater a criminalidade e o tráfico de drogas na periferia. "Vamos desenvolver o programa Nota 100, que não é o Pró-Jovem. Vamos destinar R$ 100 mensais ao jovem que se dedicar ao estudo e ainda se capacitar em alguma profissão demandada pelo mercado", emendou.

Contudo, em resposta, o candidato Manoel de Assis lembrou a necessidade de se distinguir o traficante do usuário de drogas. "Há todo um preconceito em se pensar que somente o morador das grotas é quem vende droga. O usuário é doente e precisa ser tratado", rebateu o candidato do PSTU, que manteve seu discurso de campanha, defendendo greves e ocupações de terreno.

"É bom lembrar que toda essa história de corrupção não envolve apenas o prefeito. O PSDB não tem moral para falar porque o governador Teotônio Vilela Filho também foi denunciado na Operação Navalha, acusado de fraude em licitação de obras públicas", criticou Manoel, que, quando perguntado sobre investimentos no social, lembrou também o fato de Almeida, quando repórter, ter sugerido atear fogo em um menor infrator durante reportagem.

Na seqüência, respondendo à pergunta de telespectador, Solange lembrou que o Programa Saúde da Família (PSF) atende apenas 27% do município de Maceió. "No PSF, idosos podem ser atendidos em casa. Internamento em casa também é direito, hoje não respeitado", salientou.

Judson e Mário Agra ainda travaram discussão sobre o Lixão de Maceió, cujo projeto de aterro sanitário, segundo os dois candidatos, ainda não saiu do papel por causa de "interesses escusos". "Esta era uma pergunta ao candidato fujão, que está enrolando o povo de Maceió", alfinetou Judson Cabral.

Quando a pergunta sobre corrupção foi destinada a Manoel de Assis, este não perdoou o rival. "Pergunto ao Judson, que se diz honesto, sobre o Mensalão, que envolveu a cúpula de seu partido, além do fato de um deputado Paulão, também do PT, ter sido indiciado na Operação Taturana", questionou.

Em resposta, Judson disparou dizendo ser um dos poucos que não estão sendo investigados na Assembléia Legislativa. Quinze dos 27 parlamentares foram indiciados. "Neste País, o governo de Lula tem colocado a Polícia Federal à disposição para investigar tudo. Cada um responde por si. O que precisamos fazer é alertar o eleitor. Cuidado na opção que vocês estão fazendo. Poderemos eleger um prefeito, prestes a ser preso", avisou.

Já ao final do debate, a candidata Solange insinuou que a imprensa local teria se vendido ao prefeito (com 81% de intenção de voto, segundo a última pesquisa Ibope), que gastou, de acordo com o candidato Judson, R$ 5 milhões com propaganda somente neste ano. "Isso é grave, porque não se deu publicidade à denúncia de crime eleitoral que fizemos, já que o prefeito utilizou recursos do IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano para fazer propaganda irregular", esclareceu Solange.

Em sua última fala, Manoel de Assis não economizou nas críticas. "São mais de 100 mil pessoas morando nas grotas. Mas o prefeito faz obras para os ricos", alfinetou. "Temos um prefeito que ressalta já ter dormido em saco de cimento, mas que deixa 80 mil crianças fora da sala de aula", completou o petista.


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