Fortaleza (CE)

Quinta, 2 de outubro de 2008, 09h30 Atualizada às 09h30

Luizianne é vaiada ao chegar para debate em Fortaleza

O debate contou com perguntas entre candidatos sobre temas livres
O debate contou com perguntas entre candidatos sobre temas livres
Bruno de Castro/Especial para Terra

BRUNO DE CASTRO
Direto de Fortaleza

A candidata a reeleição à prefeitura de Fortaleza (CE), Luizianne Lins (PT), entrou na TV Jangadeiro afiliada do SBT para o último debate entre os candidatos sob vaias e xingamentos dos militantes dos seus adversários Moroni Torgan (DEM) e Patrícia Saboya (PDT).

A petista chegou por uma entrada alternativa para evitar confrontos, mas quando foi notada pelos membros dos partidos adversários, ouviu deles ofensas como "mentirosa" e "ladrona". Em dado momento, um militante cuspiu na prefeita, mas não conseguiu acertá-la. Luizianne, no entanto, não revidou aos ataques.


Debate
Durante as duas horas de programa, Luizianne também foi o alvo principal das críticas feitas por seis concorrentes. Carlinhos (PCB) e Sérgio Braga (PPS) não participaram do debate. O comunista, por não ter representatividade em Brasília, e o populista, porque enviou comunicado à TV informando que não compareceria por incompatibilidade de agenda.

Divididas em quatro blocos, as discussões tiveram perguntas entre candidatos sobre temas livres. Logo na abertura, houve troca de acusações entre Patrícia e Luizianne, as duas únicas mulheres que disputam o cargo.

A pedetista indagou o porquê de a prefeita não ter divulgado publicamente como usou o cartão corporativo da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Luizianne não gostou do tom e afirmou que só presta contas a quem de direito. No caso, o Tribunal de Contas dos Municípios. "Cadê esse dinheiro? Tenho o direito de saber, assim como o povo dessa cidade", iniciou Saboya, ouvindo da petista: "a senhora, que é uma senadora, deveria me respeitar, porque não estou aqui brincando".

Em seguida, Moroni e Adahil Barreto (PR) reforçaram a crítica à Lins tocando num assunto já abordado em debates anteriores, e que novamente, incomodou a prefeita: o suposto desconto 90% de uma dívida de R$ 14 milhões cedido pela prefeitura a uma empresa prestadora de serviços de saúde.

Luizianne justificou o abatimento dizendo que tudo foi feito em acordos judiciais e na época em que a moeda em circulação no Brasil ainda era o Cruzeiro. "Mentira também é uma ofensa e talvez vocês falem isso porque só vêm à cidade em época de eleição", contrapôs ela.

Por fim, Adahil, Moroni e Patrícia retomaram os reclames contra Luizianne, ao passo que Pastor Neto (PSC), Aguiar Jr. (PTC) e Renato Roseno (Psol) tentavam trazer o debate para a apresentação de propostas. O republicano disse que Luizianne se aproveita das críticas dos adversários para se fazer de vítima e mexer com o emocional popular. A petista disse que não precisa se valer desse tipo de artifício, porque o povo lhe apóia pelo fato de notar que sua administração foi boa.

Moroni se queixou que a candidata do PT deixou a cidade abandonada e não anda na periferia, área em que, segundo ele, a população cobra mais a presença da prefeitura. Novamente Luizianne revidou garantindo que essa foi a parcela que mais teve benefícios na sua gestão e que as acusações contra ela são feitas porque os adversários vivem numa Fortaleza que eles só conhecem nos livros e revistas.

Já Patrícia enalteceu que a postura de Luizianne nesse último debate mostrou como a prefeita é arrogante e sonega informações ao eleitorado sobre a utilização de um instrumento de governo - o cartão - que é patrocinado pelo povo. "Quando ela vem pra cá e não traz o Duda Mendonça. Então, só sabe agredir", ressaltou. Em resposta, Lins falou que não aceitava nenhum tipo de insinuação e que sempre tem prezado pelo respeito. "Presto contas sim, mas não para a senhora", pontuou.


Redação Terra