Espírito Santo

Segunda, 29 de setembro de 2008, 10h25 Atualizada às 10h37

Candidatos atacam promessas "inviáveis" de adversários em Vitória

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O atual prefeito de Vitória (ES) e candidato à reeleição, João Coser (PT), foi o principal alvo dos questionamentos e ataques durante debate realizado na noite de ontem na TV Vitória - Rede Record. Propostas dos candidatos classificadas como inviáveis, que envolvem alto custo e tempo, foram combranças constantes no evento.

Além de Coser, participaram do debate Luciano Rezende (PPS), Bernardo Teteco (PRTB) e Carlão (Psol). O candidato José Avelar, do PCO, não compareceu e não explicou os motivos da desistência. Os problemas no trânsito da capital capixaba, o custo das últimas obras realizadas e promessas não cumpridas foram os principais pontos destacados pelos adversários do prefeito.

O candidato Luciano Rezende cobrou respostas sobre a implantação do metrô de superfície, carro-chefe da campanha eleitoral de Coser em 2004. "Este metrô só existe nas promessas de campanha. Não há um centavo no orçamento federal, nem no orçamento estadual e, agora, no final do mandato, incluíram uma verbinha no orçamento da prefeitura para dizer que estão tocando o projeto. Vitória precisa de respostas concretas e realistas para o problema do trânsito. Esse metrô é uma fantasia", acusou Rezende.

Coser partiu para o contra-ataque e questionou Rezende sobre a proposta do vereador do PPS para a construção de uma quarta ponte ligando a ilha de Vitória ao continente. "Essa proposta é inviável. Não há nenhum estudo sobre o custo dessa obra", alegou o prefeito.

Rezende subiu o tom na resposta e rebateu. "Acho engraçado o Coser falar que qualquer proposta é inviável. O seu secretário de desenvolvimento fala o tempo todo da construção de um túnel. Você promete esse metrô desde 2004 e mesmo assim vem falar que uma ponte é inviável? A sua proposta de metrô é que é mirabolante e só hoje o senhor admitiu que esse é um projeto que não sai do papel em menos de 25 anos", afirmou.

Em outra rodada de perguntas, os demais candidatos também cobraram do prefeito promessas de campanha. Bernardo Teteco afirmou que a construção da praça do Papa e a reforma da praça Costa Pereira, no centro da cidade, custaram, juntas, quase o mesmo valor da Usina Termelétrica que o candidato do PRTB promete para a capital, caso seja eleito.

"Minha proposta é transformar o lixo de Vitória em energia elétrica. Essa usina custaria algo entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões. As duas praças de Coser - uma que não tem bancos, não tem lazer, não tem nada; e a outra que depois de reformada não melhorou nada - custaram quase isso", alegou.

Teteco ainda questionou o projeto de metrô de superfície. "Isso não resolve nada. O prefeito apresenta um projeto de um bonde, que pára em sinal, em cruzamento, ocupa uma faixa de trânsito e anda mais devagar que ônibus", ironizou o candidato do PRTB.

A seu favor, Coser alegou que tem o apoio do governo federal e do governo estadual para viabilizar o metrô e destacou que é importante a cidade planejar ações de longo prazo. "Se fosse tão fácil solucionar problemas de trânsito, São Paulo, Rio e Belo Horizonte não teriam engarrafamentos", disse.

O candidato do Psol também apresentou uma lista de promessas não cumpridas. "O prefeito prometeu na campanha de 2004 aumentar o salário dos médicos e valorizar o magistério. Isso não foi feito", afirmou Carlão.

Preocupado com o meio ambiente, ele questionou a falta de fiscalização à emissão de poluentes. "Gostaria de saber por que há 4 anos a prefeitura de Vitória não multa as grandes empresas poluidoras? Por que é forte para multar os pequenos, mas omissa em relação às grandes empresas? Isso por acaso reflete os financiamentos de campanha?".

Coser se limitou a desmentir a suposta discriminação no tratamento dado pelas autoridades municipais de meio-ambiente aos empresários e alegou que as doações de sua campanha são feitas dentro da lei e estão acessíveis em sua prestação de contas. Rapidamente Teteco retrucou: "mas o senhor recebeu R$ 100 mil em sua campanha de 2004 do empresário Zuleido Veras, da Gautama. Até quando vamos continuar admitindo dinheiro podre nas campanhas?".

Zuleido Veras é dono da construtora Gautama, acusado de participar de um esquema de fraudes em licitações públicas com ramificações em vários estados. Mais uma vez, Coser destacou que recebe doações dentro dos limites estabelecidos em lei e jogou para a esfera federal a missão de explicar o que o dinheiro de Veras fazia em sua campanha. "A ajuda que veio do partido em nível nacional não foi articulada por mim. Eu não sei de onde vem cada recurso", explicou Coser.


Redação Terra