Belém (PA)

Segunda, 29 de setembro de 2008, 09h11 Atualizada às 09h10

Acusações e problemas técnicos marcam debate em Belém

Lucy Silva
Direto de Belém

Acusações e problemas técnicos marcaram o segundo debate televisivo entre os sete candidatos à prefeitura de Belém (PA), na noite de ontem, na TV Record. Os participantes trocaram ofensas e acusações, e três direitos de resposta foram concedidos. Problemas com o áudio nos dois primeiros blocos do programa foi alvo de reclamações de assessores políticos.

Foram quase três horas de debate, distribuídas em um programa de cinco blocos, dos quais dois tiveram perguntas sorteadas por jornalistas da emissora e outros dois blocos foram dedicados a perguntas de tema livre entre os candidatos - cuja ordem foi definida em sorteio prévio. O último bloco foi dedicado às considerações finais.

Assessores que acompanhavam o programa reclamaram do áudio. "Gente, será que ninguém percebe que não dá para ouvir o que ela fala?", questionou Fátima Moreira em relação ao microfone de sua assessorada Marinor Brito (Psol). A emissora não se pronunciou sobre o caso.

Além dos problemas técnicos, o candidato João Moraes (PSL) foi advertido duas vezes por usar seu número na manga do blazer e no copo de água cedido aos convidados.

Dentro do estúdio, as acusações predominaram. Marinor Brito (Psol) disparou contra Duciomar Costa (PTB), ao ser questionada por Arnaldo Jordy (PPS) sobre a situação da educação . "Não vamos tratar professores com bomba de gás e polícia, mas oferecer qualificação profissional," acusou.

Costa teve direito de resposta concedido. "A senhora deve estar confundindo a nossa administração. Valorizamos os professores, que hoje estão recuperando o caos que o governo de seu partido deixou", disse o petebista, referindo-se ao ex-prefeito Edmilson Rodrigues (Psol), seu antecessor.

Visivelmente exaltada, Marinor voltou a disparar contra Duciomar. "O senhor não vai enganar o povo de novo, não merece o voto do povo de Belém", disse. Costa defendeu-se em tom de ironia: "Calma candidata a senhora não precisa se irritar, o povo de Belém tem sabedoria e provou como é amarga a incompetência do seu governo e não vai deixar que esse caos volte a acontecer".

O clima de conflito permaneceu entre os candidatos Valéria Pires Franco (DEM) e José Priante (PMDB).Priante chegou a fazer ofensas pessoais a Valéria. "A senhora devia ter mais humildade, está certo que nasceu em berço esplendido. Poderia ter começado sua carreira política como todos nós, como vereadora", ironizou. "Eu só tenho quatro anos de mandado na minha carreira, tem candidatos aqui com vinte anos de carreira e não fizeram nada", defendeu-se a democrata.

Mas Priante ainda retrucou. "Toda vez que a senhora é apertada nos debates diz isso. Teve oportunidade de fazer e não fez nada", falou referindo-se ao fato de Valéria ter sido vice-governadora do Pará, na administração anterior.

Em outro momento, Valéria questionou o candidato do PT, Mário Cardoso, sobre uma ofensa pessoal em seu programa de rádio. "O senhor acha que a aparência é um pré-requisito para ocupar cargo público? Porque o senhor me comparou a uma boneca", disse ela, referindo-se a uma propaganda em que ela é apelidada de Barbie candidata.

Mário Cardoso desmentiu a acusação. "Estou aqui lhe tratando não como mulher, mas como candidata que tem que assumir seu papel na administração pública, o que não fez", acusou o petista.

Valéria logo se direcionou novamente contra Priante. "Me culpar por tudo seria o mesmo que dizer que o caos na saúde foi por causa do seu irmão, que foi secretário de saúde", disse ela. O que deu direito de resposta ao peemedebista. "Observando a senhora que fala tanto em justiça e acabou de cometer uma injustiça com meu irmão, que é uma pessoa honrada", defendeu Priante.

O candidato Arnaldo Jordy (PPS) também fez acusações à Duciomar Costa. "A Prefeitura recebeu do governo estadual 117 equipamentos, na ordem de 22 milhões de reais, e esse maquinário está na empresa de seu ex-chefe de gabinete. Vou denunciar isso no Ministério Público se for preciso", disse, ressaltando que o caso foi denunciado em uma reportagem veiculada pela TV Record.

Duciomar teve mais um direito de resposta, o terceiro da noite, e respondeu. "Se o senhor tem alguma coisa contra administração pública apresente a quem é de direito. Acusações vãs não cabem aqui".

Avaliação
Os candidatos avaliaram suas participações no programa. "Foi maravilhoso porque deu para perceber que eles não querem discutir, propor, e sim acusarem uns aos outros, isso é uma vergonha!", disse João Moraes (PSL).

José Priante (PMDB) também comemorou sua participação. "O debate foi ótimo, uma oportunidade dos candidatos se mostrarem sem marketing, sem máscaras e sem esconde-esconde".

Para Arnaldo Jordy (PPS) "foi bom para mostrar as verdades para a população, as propostas de diversos temas, ajudar o eleitor a fazer análise criteriosa para a escolha do seu gestor", acredita.

O candidato do PT, Mário Cardoso, acredita que o programa abriu os olhos dos eleitores. "Começou a colocar os ossos no lugar, para o eleitor avaliar o que é possível fazer ou não".

O petebista Duciomar Costa declarou que o programa "possibilitou aos eleitores conhecer as propostas para fazer uma avaliação correta e se informar sobre a posição dos candidatos".

Já Marinor Brito acredita que "ficou mais claro quem de fato está do lado do povo, acompanhado, fiscalizando os problemas. Fez o eleitor refletir melhor e no dia cinco me dar essa oportunidade de governar Belém".


Especial para Terra