Fortaleza (CE)

Segunda, 29 de setembro de 2008, 05h49 Atualizada às 09h33

CE: Luizianne volta a ser alvo de críticas em debate

Dos nove candidatos à prefeitura de Fortaleza, oito participaram do debate
Dos nove candidatos à prefeitura de Fortaleza, oito participaram do debate
Bruno de Castro/Especial para Terra

Bruno de Castro
Direto de Fortaleza

A candidata do PT à reeleição em Fortaleza, Luizianne Lins, voltou a ser o principal foco de críticas durante o debate realizado, no fim da noite de ontem, na TV Cidade, afiliada da Record. Dos nove candidatos, oito participaram do programa. Sérgio Braga (PPS), que entrou no lugar de Luiz Gastão (PPS) após renúncia na semana passada, não foi convidado porque seu nome foi apresentado à emissora quando a homologação do debate junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já havia acontecido.

No primeiro bloco, Carlinhos (PCB), Patrícia Saboya (PDT), Pastor Neto (PSC), Aguiar Jr. (PTC), Luizianne, Renato Roseno (Psol), Adahil Barreto (PR) e Moroni Torgan (DEM) se apresentaram ao eleitorado, destacando pontos marcantes de suas carreiras e do plano de governo que formularam.

No segundo bloco, iniciaram-se as perguntas de candidato para candidato e Patrícia abriu os ataques à Luizianne, questionando porque a petista não realizou uma auditoria nas contas do ex-prefeito da capital cearense, Juraci Magalhães (ex-PMDB, atual PR), já que reclama reiteradamente que recebeu a prefeitura em 2005 com um rombo de R$ 250 milhões. A pedetista também afirmou que a bancada de apoio de Lins na Câmara Municipal de Fortaleza aprovou as contas.

Luizianne rebateu dizendo que Saboya estava mal informada, pois a auditoria foi realizada e uma representação chegou a ser feita contra ex-prefeito. Além disso, ela afirmou que não foi toda a bancada do PT que aprovou as contas de Juraci, mas sim vereadores isolados e que agiram de forma independente e sem qualquer orientação dela. "E são R$ 278 milhões e não R$ 250 milhões, como a senhora falou", retificou, ouvindo de Patrícia a réplica: "a prefeita está nervosa".

Patrícia indagou ainda o porquê de Tin Gomes (PHS), que foi chefe de gabinete de Juraci, ter sido escolhido como vice de Luizianne. "Ela não faz as coisas às claras", investiu, sendo complementada pela adversária: "fico angustiada com o cinismo que perdura nesse debate. A questão do vice, a senhora pergunte pro governador Cid Gomes, porque foi ele quem indicou".

Após Patrícia, foi a vez de Moroni reclamar da atual administração dizendo que nos últimos quatro anos não se fez quase nada na área de saneamento e que o povo está vivendo com lama nos pés. Ele também criticou a educação, a saúde, a degradação do centro da cidade e afirmou que a prefeitura concedeu abatimento de 90% no IPTU de R$ 14 milhões para a Sul América.

O discurso foi reforçado por Adahil Barreto (PR), que chegou a apresentar um documento em que, segundo ele, fica provado esse "descontão irregular". O republicano recebeu uma advertência da direção da emissora e aproveitou para citar que os programas desenvolvidos vão continuar não porque Luizianne tem a chance de permanecer no poder, mas porque os governos estadual e federal têm a obrigação de dar continuidade ao que já está em andamento. "Acima dos partidos está o povo", declarou.

Após ouvir as propostas de Pastor Neto para a saúde, Patrícia retomou as ofensivas e se referiu ao termo "cinismo" empregado por Lins. Segundo Saboya, a população é que está nervosa, "porque vê o cinismo nas promessas feitas e não cumpridas nesses quatro anos".

No terceiro bloco, cada candidato respondeu a uma pergunta feita por populares, jornalistas e personalidades sobre temas como revitalização do centro, preço das passagens de ônibus, melhorias para o trânsito, políticas públicas para crianças e adolescentes, realização de concursos, criação de meios de combate às drogas e preservação ambiental.

Prosseguindo as discussões, candidato voltou a perguntar a candidato sobre temas sorteados ao vivo. Nesse momento, todos apresentaram propostas para diversos setores e Patrícia reiniciou os ataques à Luizianne falando que a atual gestão enganou o povo ao prometer 40 mil casas e entregar apenas pouco mais de duas mil, segundo ela. "Ao invés de prometer, nós vamos fazer", instigou.

Adahil ganhou a palavra e citou a suposta retirada das barracas da Praia do Futuro, projeto que em tese está no Projeto Orla, que é parte integrante do plano diretor de Fortaleza e está para ser votado na câmara.

A educação foi outro tema de ataques encabeçados por Moroni Torgan, que pontuou que dar mochila, merenda e uniforme qualquer candidato dá, mas educação de qualidade não é feita só com isso. "Cinqüenta por cento das nossas crianças não sabem ler nem escrever", contabilizou, tecendo críticas ao programa eleitoral de TV de Luizianne. E acrescentou: "tem gente que se usa do artifício da vitimização, mas vítima é você que espera no posto de saúde por consulta. Agora, quem está no poder querer dar uma de vítima?".

Luizianne chegou a pedir direito de resposta, mas teve a solicitação negada pela assessoria jurídica da TV Cidade. Ela justificou a indicação dizendo que queria explicar o caso do "abatimento de 90%", mas a demanda não vingou e ela esclareceu o caso depois do debate, encerrado no quarto bloco com as considerações finais.

Conforme Lins, esse desconto foi acordado na justiça ainda na década de 80 e aconteceu por conta de mudança de moeda. Mas o nome da empresa, de acordo com ela, não é Sul América, e sim Sulamed. A prefeita classificou a denúncia como tentativa de confundir a cabeça do eleitorado e tirar vantagem em cima disso.


Especial para Terra