Maceió

Segunda, 29 de setembro de 2008, 00h03 Atualizada às 10h56

AL: sem Almeida, candidatos falam de propostas em debate

Sem o candidato à reeleição Cícero Almeida (PP), Judson Cabral (PT), Solange Jurema (PSDB), Mário Agra (Psol) e Manoel de Assis (PSTU) participaram de ...
Sem o candidato à reeleição Cícero Almeida (PP), Judson Cabral (PT), Solange Jurema (PSDB), Mário Agra (Psol) e Manoel de Assis (PSTU) participaram de debate
Bruno Soriano/Especial para Terra

Bruno Soriano
Direto De Maceió

Os candidatos a prefeito de Maceió (AM) voltaram a se encontrar na noite deste domingo em debate exibido por uma emissora afiliada da TV Record. A exceção foi o prefeito Cícero Almeida (PP), que não compareceu. Os candidatos presentes apresentaram suas propostas, concentrando-as às áreas de saúde, educação e transporte público.

O debate teve cinco blocos, dois deles com perguntas entre os próprios candidatos. O primeiro a se pronunciar, conforme o sorteio, foi o candidato Mário Agra (Psol), que explicou porque deseja ser prefeito de Maceió. "A capital tem 80 mil crianças fora da sala de aula. É preciso investir nas pessoas, não apenas em infra-estrutura", afirmou Agra em crítica velada à atual administração.

Em seguida, o candidato Judson Cabral (PT) frisou também discordar da atual gestão, que para ele, "vive de aparência, gastando com propaganda e esquecendo as políticas sociais". "Sinto-me preparado para este desafio. Não adianta construir viaduto e, ao final dele, ver uma criança pedindo esmola", alfinetou.

Na seqüência, a candidata Solange Jurema (PSDB) reportou-se ao "momento em que todos os maus administradores estão sendo expurgados da política". "Trago minha experiência, que é o exemplo de outras cidades que encontraram soluções para a saúde e educação", frisou.

Por fim, ainda no primeiro bloco, o candidato Manoel de Assis (PSTU) destacou ter entrado na disputa para tentar levar a classe trabalhadora ao Poder Municipal. "Todos os governos privilegiaram os empresários, empurrando os trabalhadores ao desemprego. Estaremos à serviço de greves, ocupações de terrenos e de imóveis, diferentemente de duas candidaturas aqui presentes, uma presa ao governo federal, e a outra ao estadual, que continuarão a prometer e não cumprir", criticou.

Perguntas de jornalistas
No segundo bloco, os candidatos responderam a perguntas dos jornalistas. Solange, perguntada sobre transporte público, disse que Maceió precisa de um Plano de Mobilidade Urbana, para investir na construção de ciclovias, na ampliação do transporte ferroviário, entre outras alternativas.

Judson Cabral, por sua vez, respondeu à pergunta sobre o distanciamento da classe média do processo eleitoral. O petista salientou que isso é fruto da "decepção" para com a política atual. "Temos uma Assembléia Legislativa em que a maioria dos deputados foram indiciados por desvio de recursos, assim como o atual prefeito", salientou.

Já Agra, questionado sobre a necessidade de investimento em habitação, disse que rediscutirá a dívida pública do município (estimada em R$ 677 milhões), a fim de que "cada centavo restante seja destinado à construção de moradias populares".

Na seqüência, Manoel de Assis (PSTU) defendeu o não pagamento da dívida pública, alegando que "não foi feita pelos assalariados". "A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada no governo do ex-presidente Fernando Henrique e mantida pelo governo Lula, retirando dinheiro do serviço público", afirmou o candidato, acrescentando que brigará, junto ao Governo Federal, pela redução da jornada de trabalho.

Perguntas entre candidatos
Já no terceiro bloco, houve perguntas entre os próprios candidatos. Assis indagou Solange quanto a sua promessa de governar "para as pessoas", reportando-se à "destruição do serviço público pelo governo FHC", do mesmo partido da candidata. "Não estou aqui para mentir. Fernando Henrique não destruiu nada. Tanto é que o presidente Lula segue suas políticas sociais. Sempre cuidei das pessoas. Não estou inventando nada agora", rebateu.

Agra, após sorteio, perguntou a Cabral sobre suas propostas à saúde. "Gostaria de perguntar ao prefeito 'fujão' em que ele gastou R$ 2,5 bilhões do orçamento municipal, porque a saúde agoniza, já que temos 49 postos que não cumprem seu papel, loteado entre vereadores, além de o Programa Saúde da Família (PSF) cobrir apenas 28% da cidade", resumiu o petista, rebatido pelo candidato do Psol. "É ai que começam nossas divergências. Acreditamos que a saúde não pode esperar. O PSF terá de alcançar 100% de cobertura de imediato", afirmou Agra.

Judson perguntou a Assis novamente sobre a dívida pública. "Não vamos trair os trabalhadores, como o fez o PT, que, quando eleito, passou a negociar a dívida, cujo pagamento só beneficia os empresários", alfinetou Assis. Judson respondeu: "Não pagar a dívida será um 'calote' dos próprios trabalhadores".

Em seguida, Solange perguntou a Agra sobre o suposto uso do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) como propaganda irregular do atual prefeito. "Há muito se faz isso. Utiliza-se a máquina pública com fins eleitoreiros. Se a lei fosse implantada, não haveria cadeira para tanta gente", comentou, acrescentando que desenvolver o orçamento participativo não basta, pois "a contribuição da sociedade se resumiria a 17%".

No quarto e penúltimo bloco, os internautas fizeram perguntas. O candidato petista foi questionado sobre suas políticas aos jovens. "É preciso capacitar o jovem, investir em educação, cultura, esporte e lazer, além da necessidade de criação de pontos de cultura", destacou, complementado por Agra.

"Farei uma administração transparente, contando com o apoio da sociedade e de movimentos sociais no que tange à fiscalização. Vamos acabar com estruturas 'de fachada', que hoje só servem para distribuir cargos de comissão", criticou o candidato do Psol, quando perguntado se criaria um portal para expor gastos da administração municipal.

Outro internauta perguntou a Assis, após sorteio, se ele teria a "coragem" de disponibilizar seu CPF para uma consulta pelos eleitores. "Nós trabalhadores não temos o que esconder. Já eles outros candidatos sim", resumiu.

Por fim, Solange respondeu a pergunta sobre educação. "Mais de 17 mil crianças não têm acesso a creches. Isso é uma vergonha. Vamos implantar o sistema de educação integral. Arapiraca, um município menor que Maceió, já criou cinco escolas com esse sistema. Temos de organizar a base do ensino".

O último bloco foi dedicado a considerações finais.


Especial para Terra