São Paulo (SP)

Domingo, 28 de setembro de 2008, 23h04 Atualizada às 08h39

SP: a uma semana da eleição, candidatos partem para o ataque

Debate foi realizado nos estúdios da  TV Record
Debate foi realizado nos estúdios da TV Record
Hermano Freitas/Terra

O penúltimo debate da disputa pela prefeitura de São Paulo no primeiro turno foi realizado nesta noite pela TV Record. Faltando exatamente uma semana para as eleições municipais, os candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto partiram para o ataque direto entre si. Comparações entre mandatos também predominou.

Os candidatos Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) atacaram o prefeito Gilberto Kassab (DEM) por sua ligação na administração do ex-prefeito Celso Pitta. "Eu apoiei Serra na eleição que ele perdeu. Ele apoiou Pitta e foi secretário do Pitta", disse o tucano.

Marta elogiou o tucano ao atacar Kassab. "O Alckmin falou muito bem. Quando o senhor foi secretário do Pitta, foram criadas as escolas de lata", afirmou. O prefeito Kassab se defendeu dizendo que já tinha se afastado da administração de Pitta quando foram criadas as escolas de lata. "Fazia oito meses que eu tinha deixado o governo", disse.

Sobre Alckmin, Kassab disse que ele está "irreconhecível" desde que caiu nas pesquisas. "Há algumas semanas ele me convidou para conversar e participar de seu governo, para compor seu governo. Chegou até a me convidar para ser candidato a governador em 2010, apoiado por ele", disse.

O tucano negou a afirmação: "a minha vida politica não é de acordos de bastidores, a minha vida política é da transparência. (...) Como posso convidar alguém para candidato a governador se ele é do DEM e eu do PSDB?".

O candidato do PSDB questionou Kassab sobre educação infantil, dizendo que 158 mil crianças estariam fora das escolas e das creches na cidade. O democrata rebateu: "você está mal informado Alckmin. São 80 mil crianças". Ele prometeu zerar o déficit de vagas e destacou ações integradas com o governo estadual do tucano José Serra. "É fácil ir para televisão dizer que vai fazer, mas isso é lei", atacou Alckmin.

Kassab também acusou Marta de não cumprir promessas de campanha. "Há oito anos, quando Marta era candidata, ela fez as mesmas promessas", afirmou. Ela rebateu afirmando que o prefeito "copiou mal" sua gestão. "Ele copia tudo mesmo" e suas propostas são "só maquiagem". "Kassab, a grande obra de seu governo é o caos no trânsito", disse a petista.

A candidata do PPS, Soninha Francine, comentou que Maluf a "surpreende" quando o adversário afirmou que "se orgulha de ter a ficha limpa". "Dizer que tem a ficha limpa? Se não me engano você nem poderia deixar o País agora, teria que ser representado por alguém no Executivo, se tivesse que representar o Estado no exterior", afirmou.

Soninha também lembrou que Maluf disse que se Pitta não fosse um bom prefeito, as pessoas não deveriam mais votar nele. "É difícil seguir os seus conselhos?", perguntou. O candidato do PP rebateu dizendo que há 41 anos está no mesmo partido: "a Soninha saiu do PT e foi para o PPS". Ele citou ainda uma reportagem na qual Soninha disse ter fumado maconha.

Maluf atacou Marta desde a apresentação, quando afirmou que ela teve sua vez e foi rejeitada pela população em 2004. Ela fez uma pergunta ao candidato sobre transporte e ele a acusou de deixar obras paradas. "Porque a senhora deixou 92 obras paradas. Só deixou dois túneis de rico, os únicos túneis de no mundo, que acabam em semáforos", atacou Maluf. A petista respondeu que o sonho do adversário é asfaltar o rio Tietê. "Maluf, eu não te levo mais a sério, dou risada", disse ao citar uma obra de um túnel do candidato do PP que teria desabado.

O candidato Ivan Valente (Psol) também criticou Maluf. "Se eu deixasse você governar São Paulo (em referência ao adversário do PP), não teria espaço para árvore, ia ter só asfalto", falou.

O político do Psol atacou ainda o plano de governo do candidato Ciro Moura (PTC) e classificou a proposta do adversário de trabalhar com a iniciativa privada como "um delírio". Antes, o candidato do PTC havia afirmado que "se transferir recursos significa atender a população está bom". Valente disse que Moura quer entregar o povo para a "sanha assassina do mercado".

Ciro Moura (PTC) acusou Alckmin de ter criado o "monstro do PCC" (facção criminosa Primeiro Comando da Capital) quando este foi governador e perguntou ao tucano como ele enfrentaria o crime organizado. "Não tenho medo de enfrentar crime organizado", afirmou Alckmin. Em seguida, o candidato do PSDB falou sobre sua gestão no governo no Estado e perguntou "a quem serve o candidato Ciro Moura?".

O único candidato que não atacou diretamente os adversários foi Renato Reichmann (PMN). "Eu acho que todos os candidatos fizeram coisas boas e coisas ruins. Nós temos uma herança Ibérica muito complicada. Fica se pensando em pontes, viadutos, em obras de muito investimento e se esquece o ser humano", falou.

Em suas explanações finais, Ivan Valente afirmou que "todos os candidatos perderam" com o debate. "Foi um festival de incoerências que foi relevado. Todos querem se livrar do Pitta", disse.

Para Ciro Moura, o debate "não levou a lugar nenhum". "Esta conversa de quem andou com quem não acrescente nada", afirmou. Já o candidato Renato Reichmann evitou dizer quem ganhou o debate. "O grande vencedor foi o eleitor. É extremamente importante a troca de idéias".


Redação Terra