Atualizada às 03h32
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| Debate foi realizado nos estúdios da TV Record |
| Hermano Freitas/Terra |
No primeiro bloco do penúltimo debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo no primeiro turno, o candidato Gilberto Kassab (DEM) partiu para o ataque direto aos adversários Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta Suplicy (PT). Já a petista aproveitou para invocar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O atual prefeito afirmou que o tucano mudou o posicionamento sobre ele nas últimas semanas devido a seu crescimento nas últimas pesquisas. "Há algumas semanas ele me convidou para conversar e participar de seu governo, para compor seu governo. Chegou até a me convidar para ser candidato a governador em 2010, apoiado por ele", disse. Kassab também acusou a petista de não cumprir promessas de campanha. "Há oito anos, quando Marta era candidata, ela fez as mesmas promessas", afirmou.
"Falta um pouco de coerência à prefeita. Seu partido está na linha de frente do aumento dos impostos", disse Kassab. Questionado por uma jornalista sobre Alckmin ter dito que o democrata não tinha coerência política por ter apoiado o ex-prefeito Celso Pitta, e o atual adversário na disputa pela prefeitura Paulo Maluf, além de atualmente ser apoiado por Orestes Quércia, ele respondeu "coerência política é algo que sempre tive na vida pública".
Marta rebateu as críticas de Kassab. Ela disse que o democrata faz "propaganda enganosa na TV" e comentou que seu partido, que era da base aliada do governo Fernando Henrique Cardoso, corroborou para o aumento da carga tributária do País. "O governo PSDB-demo foi o que mais aumentou impostos. Vem falar de taxa para mim? Deus que me perdoe", disse.
Ela prometeu ainda não criar mais taxas, caso eleita. "Foi um erro (em referência às taxas que criou quando foi prefeita), não vou criar mais taxa e tenho palavra", disse. Em seguida, Marta lembrou que o Estado "tem um dos maiores pedágios, que também é taxa", e um mais altos IPVAs. "No nosso governo nós isentamos um milhão de pessoas de pagamento de IPTU e também fizemos o contrário do que se faz agora - um trabalho muito grande para as pessoas carentes dessa cidade", afirmou. Ela voltou a declarar que fez mais que Kassab com menos verba em caixa.
A petista também invocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o início do debate, quando se apresentou. "Vivemos um momento especial. O Brasil está crescendo e São Paulo querendo ir nessa onda de oportunidades. Quero entrar nessa onda com vocês e com o presidente Lula", disse.
Questionado por uma jornalista sobre as medidas positivas que Lula havia tomado em seu governo, Alckmin afirmou que a gestão federal deve ser discutida em 2010. "Tenho evitado colocar o Lula no debate porque o Lula é o presidente do Brasil e não o presidente do PT. Quero deixar claro que tenho divergências com o PT, que já teve oportunidade de governar em São Paulo. O que vemos é o ponto de vista financeiro. A cidade quase quebrou", disse.
Em resposta, Marta disse ao candidato do PSDB que a eleição tem conotação federal. "O Lula tem afinidade de projeto conosco e nós temos condições de buscar o recurso. O Samu, o Projovem, as gestões mandaram de volta dinheiro enviado pelo governo federal porque não tem a mesma afinidade de projeto", disse. Ela também rebateu as críticas de que teria entregue a cidade com dívidas. "Quero saber que cidade falida tem aprovação do Tribunal de Contas, da Câmara e que deixa superávit? Em janeiro, já tinha R$ 1 bilhão para pagar conta", afirmou.
Alckmin disse que "deu muito trabalho os R$ 1,8 bilhão em contas que não foram pagas". "Nós temos respeito com o seu dinheiro. Reduzimos impostos e fizemos obras importantes", falou.
A candidata Soninha Francine (PPS) entrou em confronto com o candidato do PP, Paulo Maluf quando os dois discutiram trânsito. Soninha defendeu o investimento em bicicletários e em ciclovias como alternativa para o desafogamento do trânsito na cidade. Maluf afirmou que discordava da candidata porque "em uma cidade que tem 11 milhões de habitantes, não vamos exigir que senhores e senhoras de idade andem de bicileta". Ele disse que, se eleito, irá investir em obras viárias.
Maluf foi perguntado por uma jornalista se realmente acredita que o seu projeto para a construção de uma freeway vá liberar o trânsito. Ele respondeu que confia na proposta da "mesma forma que confia em todos os seus projetos". "Não deixei nenhuma obra parada nessa cidade. (...) Eu confio na freeway porque quando acontece acidente, a Marginal pára", disse.
Sobre o comentário de Maluf, o candidato do Psol, Ivan Valente, afirmou que discorda "frontalmente da linha" do adversário. Ele disse o modelo faz a "alegria das empreiteiras" e fez uma crítica ao subsídio dado pelos governos a indústrias que fabricam carros. "Não façam a alegria dos bancos e das indústrias automobilísticas", falou. Valente negou que sua plataforma de governo seja radical porque cumprirá a constituição e disse que, caso falte dinheiro à educação, moradia e transporte, suspenderia o pagamento da dívida pública que classificou como "imoral e ilegal".
O candidato Ciro Moura (PTC) afirmou em sua apresentação que o momento das eleições é "oportuno para (a população) questionar, formar uma nova mentalidade". Perguntado por uma jornalista sobre saúde, ele disse que seu projeto é investir na iniciativa privada. Para Moura, o modelo público não funciona e o resultado "está aí, com as pessoas esperando na fila".
Soninha comentou que "não podemos cair nem no extremo de dizer que o poder público é incapaz e que o setor privado é totalmente capaz de gerenciar". Ela disse que há exemplos positivos nos dois e lembrou que mais importante que construir um novo plano é ver o que funciona.
Uma jornalista questionou o candidato Renato Reichmann (PMN) sobre como administrará a prefeitura sem apoio político, pois sua sigla tem pouca representatividade na Câmara de Vereadores. Ele afirmou que, "inicialmente, nenhum partido tem maioria" e que os projetos do Executivos são "óbvios". "Eu duvido que o vereador (de outro partido) vá votar contra saúde, educação, contra qualidade de vida", disse.
Redação Terra