São Paulo

Sexta, 26 de setembro de 2008, 08h42 Atualizada às 08h54

Em Campinas, candidato cor-de-rosa aposta na naturalidade

Dino Moto Rosa tem 50 anos e é pai de dois filhos
Dino Moto Rosa tem 50 anos e é pai de dois filhos
Rose Mary de Souza/Especial para Terra

Rose Mary de Souza
Direto de Campinas

O alfaiate já tirou as medidas para o terno de linho cor-de-rosa do candidato a vereador de Campinas Dino Moto Rosa, do PMDB. As roupas novas são para a eleição no domingo, dia 5 de outubro, e para o ano que vem na sonhada posse como um dos novos vereadores da Câmara Municipal de Campinas. Aos 50 anos, o enfermeiro aposentado circula vestido roupas cor-de-rosa com sua motocicleta também caracterizada neste tom de cor.

Otimista, o candidato adotou como estratégia para a vitória a naturalidade ao despertar a curiosidade e atrair simpatia das pessoas. Para se destacar entre os adversários no reduzido espaço no horário gratuito, Dino Moto Rosa se mantêm tranqüilo e acredita na sua popularidade.

Ex-enfermeiro, Dino Moto Rosa diz conhecer muito bem a temática da saúde e esta será a questão principal do seu trabalho na Câmara. Portadores do vírus HIV, por exemplo, merecerão sua atenção. O candidato afirma ainda que pretende lutar pelos direitos da população menos favorecida e das crianças abandonadas em abrigos.

Dez segundos
"Eu sou o cara" é a frase ao final do discurso de apresentação de 10 segundos no rádio e TV que virou bordão. É repetido por populares. "No trânsito mexem comigo e me chamam 'é o cara', Pantera cor-de-rosa, Penélope Charmosa, e outras coisas. Eu gosto, não é agressivo. São manifestações de carinho".

Na batalha pelos votos a confiança é munição frente à difícil tarefa de convencer os eleitores. "Preciso de cinco mil votos, é difícil. Tem muita gente boa concorrendo, mas sei que vou conseguir".

Em Capinas, as 33 vagas na câmara de vereadores são disputadas por 560 candidatos e 700 mil eleitores entre os mais de um milhão de habitantes da cidade. "Nesses últimos dias é preciso não deixar o eleitorado no esquecimento", disse o candidato.

Vida cor de rosa
A obsessão pelo rosa começou após um período de depressão causado pela constatação de que era portador do vírus HIV. Do casamento desfeito após oito anos de convivência, restaram a filha com 28 anos e o filho com 19, que moram com a mãe em outra cidade.

A cor rosa chegou para trazer alegria, brilho, luz e esperança na nova vida ao assumir a homossexualidade. "Vou dar minha cara a tapas na câmara", reconhece. Se for eleito, Dino será o primeiro vereador gay assumido em Campinas.

A moto do candidato, batizada de Dominiki em homenagem a uma canção, é equipada com sirene, buzina uga-uga, câmera de filmagem no farol traseiro, GPS, bagageiros laterais, equipamento de som com potência de 130 decibéis e uma coletânea de músicas dos anos 70 e 80.

O figurino com as roupas cor-de-rosa se completa com o capacete. O acessório tem desenhos infantis como Bárbie, Penélope Charmosa e as meninas super poderosas. A motocicleta de 125 cilindradas é pintada em rosa possui riscos do arco-íris no tanque de combustível.

Respeito dos eleitores
O presidente da associação dos motociclistas de Campinas e região, Mamba, afirma que não irá votar em Dino, pois já tem um candidato. "Mas o Dino é uma excelente pessoa e merece consideração", falou, acrescentando que, candidato ou não, é sempre aguardado nos encontros do grupo.

A manicure Sandra Regina Pereira, 33 anos, moradora do Taquaral, diz estar indecisa. "É tanto candidato que fiquei confusa". Ela acha importante a postura do vereador. "Se ele se respeitar todos vão respeitar também", disse.

O segurança Jair Campos, 25 anos, do Bosque, pensa ser importante uma Câmara formada por vereadores que tenham idéias diferentes. "Não funciona se todo mundo pensar igualzinho", afirmou.


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