Recife (PE)

Quarta, 24 de setembro de 2008, 10h12 Atualizada às 11h12

No Recife, petista critica cassação

Gabriela Belém
Direto de Recife

João da Costa (PT), que teve seu registro cassado pela Justiça Eleitoral ontem, afirmou em encontro que reuniu lideranças políticas de Pernambuco, que o processo instaurado contra ele, por denúncia anônima ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), não tem consistência.

"Não há nenhum motivo para consubstanciar do ponto de vista jurídico, político e administrativo a decisão que foi tomada", disse. Estiveram no encontro, ocorrido ontem à noite, o vice-governador de Pernambuco, João Lyra Neto, o prefeito da cidade, João Paulo, o secretário das Cidades, Humberto Costa, e o candidato a vice-prefeito, Milton Coelho.

Demonstrando tranqüilidade, o candidato João da Costa disse logo após a decisão anunciada pelo juiz que a candidatura continua. "Quem vai decidir quem será o prefeito do Recife no próximo dia 5 de outubro será a vontade soberana do povo. A campanha continua na rua, porque vamos entrar com efeito suspensivo no TRE", afirmou.

Cassação
A decisão de cassar a candidatura do candidato petista foi tomada pelo juiz eleitoral, Nilson Nery, após a análise de uma revista do Orçamento Participativo distribuída nas ruas da cidade. O juiz entendeu que houve uso da máquina pública. "Pela primeira vez nesta cidade, há transparência em tudo o que foi feito em oito anos: R$ 300 milhões, mais de três mil ações e obras publicadas local a local", relatou Costa.

Outro motivo para a cassação, apontado pelo juiz, foram materiais de campanha e convocações feitas por pessoas com cargos comissionados para participação em eventos da campanha em horário de expediente encontradas em computadores apreendidos na secretaria municipal de Educação. Havia ainda um cronograma pedindo que os servidores fossem às caminhadas e panfletagens de João da Costa no horário de trabalho. "Não articulei, não mandei, não coordenei e por isso eu devo ser cassado e não participar das eleições? Então, está muito claro de que os argumentos são fragilíssimos", afirmou.

A denúncia contra o petista foi encaminhada, em 22 de agosto, à promotora Andrea Nunes. O candidato do P-Sol à prefeitura do Recife, Edílson Silva, foi quem anunciou detalhes da investigação para a imprensa na tarde da última sexta-feira (19). No domingo, advogados dos candidatos do DEM, Mendonça Filho, e do PMDB, Raul Henry, distribuíram à imprensa cópias dos laudos da Polícia Federal e do parecer da promotora que constavam no processo - que não estava sob segredo de Justiça.

A investigação sobre o uso da máquina pública, realizada pela Polícia Federal e supervisionada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE), tem dez laudos periciais feitos após a apreensão e análise dos computadores apreendidos.


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