São Paulo (SP)

Segunda, 22 de setembro de 2008, 15h04 Atualizada às 21h04

Marta chama de populista proposta de Kassab

Marta leu o seu discurso
Marta leu o seu discurso
Daniel Biasetto/Especial para Terra

Daniel Biasetto
Direto de São Paulo

No Dia Mundial Sem Carro, o Movimento Nossa São Paulo fez um encontro com os principais candidatos a prefeitura. O objetivo foi discutir questões cruciais para melhoria das condições de vida na capital paulistana. Marta Suplicy (PT) criticou o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ela chamou de populista a sua promessa de estudar a possibilidade de implantar no futuro a tarifa zero. "Não prometi tarifa zero. Disse apenas que é uma meta de qualquer governo e quem sabe um dia a gente chegue a este plano. Não tenho embate pessoal com a Marta, apenas comparo propostas e realizações", rebateu o candidato.

O encontro chamado "propostas para uma cidade justa e sustentável" com o mote "proposta sim, blábláblá não' colocou em debate os tópicos sobre com que metas os candidatos se comprometem em relação ao transporte público, trânsito, poluição do ar, sistema cicloviário, respeito e apoio ao pedestre, e ainda, acessibilidade para os portadores de necessidades especiais.

Participaram do encontro os candidatos Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM), Edmilson Costa (PCB), Ivan Valente (Psol), Renato Reichmann (PMN), Geraldo Alckmin (PSDB) e Soninha Francine (PPS). Não participaram Ciro Moura (PTC) e Paulo Maluf (PP) e Levy Fidelix (PRTB).

Cada candidato teve oito minutos para apresentar suas propostas sem direito a réplica ou tréplica. O representante do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew abriu o encontro que foi mediado pelo radialista Marcos Aurélio da Rádio Globo. Todos os candidatos apresentaram propostas semelhantes aos problemas levantados com exceção dos candidatos de esquerda Ivan Valente e Edmilson Costa que atacaram os subsídios a indústria automobilística e o estimulo de financiamento para a compra de automóveis.

Ivan Valente chamou de perverso e irracional o sistema de trânsito da cidade. "O trânsito virou um problema de saúde pública. Vivemos numa fábrica de veneno", frisou.

Edmilson Costa disse que o direito de ir e vir da população está bloqueado pelos interesses de multinacionais. O candidato prometeu tarifa zero para o transporte público. O prefeito Gilberto Kassab foi o terceiro a falar, e novamente, voltou a dizer que já investiu R$ 1 bilhão em metrô e corredor de ônibus com ajuda do governo estadual e que vai investir mais R$ 1 bilhão. Ele também propôs redução na tarifa e congelamento de preços para o próximo ano. Ele observou que, num futuro próximo, poderia levar a diante a idéia de tarifa zero.

Em seguida, a candidata Marta Suplicy, falou das conquistas de sua gestão anterior como prefeita no transporte. Ela destacou a implantação do bilhete único e da integração dos transportes nos terminais. "São Paulo está em crise, precisa de planejamento. Corremos risco de viver a imobilidade urbana". Ela prometeu estender o tempo do bilhete único para os períodos semanais e mensais e também disse que não haverá aumento da tarifa.

O próximo candidato a participar com suas propostas no encontro foi Renato Reichmann que propôs tarifa reduzida fora do horário de pico. Na seqüência, Geraldo Alckmin abriu seu discurso dizendo que a prioridade é melhorar a qualidade do transporte público. O candidato criticou a ineficiência do setor e o alto preço da tarifa. Ele ainda usou o exemplo de Bogotá que possui 320 km de ciclovias e prometeu a construção de garagens subterrâneas para os carros. Alckmin exaltou o sucesso da parceria pública privada no metrô quando foi governador do Estado.

A última a falar foi Soninha Francine que disse ser de extrema importância a organização da sociedade civil para enfrentar a esses problemas. Ao contrário dos outros candidatos que apresentaram propostas para aumentar o número de linhas metroviárias, Soninha Francine afirmou que as obras do metrô causam transtornos a cidade e que as obras na linha ferroviária mudam muito a paisagem urbana. Soninha defendeu a bandeira máxima de sua campanha que é o pedágio urbano. "Não tem nada mais caro para a saúde das pessoas que vivem aqui que o trânsito, o congestionamento e a qualidade do ar".

Depois que todos os candidatos expuseram suas propostas, um representante do Movimento Nossa São Paulo leu um manifesto pela saúde pública e pela vida.

Ao final do encontro os candidatos deram entrevistas aos jornalistas. Marta criticou o prefeito Gilberto Kassab e chamou de populista a sua promessa de estudar a possibilidade de implantar no futuro a tarifa zero. "Ele deu uma escorregada no populismo perigosa", alfinetou.

Gilberto Kassab explicou suas propostas para reduzir a intensidade do trânsito e fez uma análise a respeito do encontro. "Todas as propostas são convergentes. Agora, é necessário fazê-las. A cidade de São Paulo precisa da participação de todos para avançar nas melhorias. Não prometi tarifa zero. Disse apenas que é uma meta de qualquer governo e quem sabe um dia a gente chegue a este plano. Não tenho embate pessoal com a Marta, apenas comparo propostas e realizações".

Alckmin comentou a declaração do secretário municipal do governo de Kassab, Clóvis Carvalho, na Folha de São Paulo. Nas declarações, o secretário disse que Alckmin procurou a desunião e tem que ser cobrado por oportunismo e perda de compostura. Questionado se rebateria as acusações, ele encerrou a entrevista dizendo que o PSDB vai responder a ele. "O PSDB vai cuidar disso. Eu vou ignorar, o que sei é que vamos chegar ao segundo turno".

Alckmin desconversou a respeito da união dos partidos num segundo turno. "Tudo tem seu tempo. Agora é hora de abordar os problemas da cidade de São Paulo". Ele ainda disse que o transporte coletivo piorou nos últimos anos e que a tarifa é muito cara. Voltou a fazer comparação com Bogotá e ressaltou que o preço lá custa U$ 0,75, e em São Paulo, cerca de U$ 1,50.


Redação Terra