Fortaleza (CE)

Segunda, 22 de setembro de 2008, 09h19 Atualizada às 10h40

CE: Luizianne e Patrícia batem boca em debate

 Debate entre candidatos realizado no Ceará
Debate entre candidatos realizado no Ceará
Bruno de Castro/Especial para Terra

Bruno de Castro
Direto de Fortaleza

O terceiro debate de TV entre os candidatos a prefeito de Fortaleza (CE) contou com a presença de oito dos nove postulantes na TV Diário , integrante do Sistema Verdes Mares de Comunicação. O debate foi marcado por críticas à atual prefeita que defende a reeleição, Luizianne Lins (PT), e teve como destaque a troca de ataques entre a petista e Patrícia Saboya (PDT).

Logo no primeiro bloco, as duas travaram um bate-boca quando Luizianne foi questionada sobre o que pretende fazer para melhorar o trânsito na cidade. Depois de ouvir da adversária que o transporte público foi uma política pública forte na atual gestão, Patrícia disse que nesses quatro anos em que Luizianne está no poder, nada foi feito no setor. A petista, por sua vez, rebateu a acusação ponderando que Saboya, enquanto senadora, teve a chance de fazer alguma coisa pela área e não fez.

"Tem gente que, como não conhece o governo, não tem conhecimento de causa", respondeu a prefeita.

O contraponto petista fez com que Patrícia pedisse direito de resposta alegando ter sido ofendida, mas a direção da emissora não atendeu à solicitação e, mesmo tendo seu microfone desligado, a pedetista insistiu em dizer que nunca foi prefeita de Fortaleza e que, por conta disso, não poderia ter realizado nenhuma ação voltada para o trânsito.

Depois, a senadora criticou o discurso de Luizianne de que a capital cearense "está bem". "Todos os dias, ando pelo Centro e vejo o caos, o desleixo. Às vezes, acho que a prefeita Luizianne fala de uma cidade que não existe, porque o povo está sofrendo numa capital largada", criticou.

Ao abrir o segundo bloco, Saboya reiniciou a série de ataques, questionando o porquê de os gastos do cartão corporativo da prefeitura não terem sido divulgados à população até hoje.

Queixando-se do baixo nível do debate por conta das constantes ofensivas vindas não só de Patrícia mas também de Moroni Torgan (DEM) e Adahil Barreto (PR), Luizianne pediu que a adversária a respeitasse pelo menos do ponto de vista moral, pelo fato de ter insinuado que os cartões poderiam ter sido usados de maneira indevida.

"Estou ouvindo barbaridades. Se a senhora levantou alguma suspeita, o TCM (Tribunal de Contas dos Municípios) é quem vai julgar. Mas acho que a senhora, senadora, deveria explicar porque o PSDB, que está apoiando a sua campanha aqui, gastou mais de R$ 100 milhões em São Paulo", propôs.

Em tom elevado, Patrícia declarou que não tinha relação com o que acontecia no sul do País e reiterou o ataque à Luizianne sugerindo que a petista mostrasse à população que está sendo apoiada "por gente que carrega dólares nas partes íntimas e que financiou o mensalão". "A senhora é que deveria me respeitar", complementou a representante do PDT e ex-mulher do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE).

Luizianne, entretanto, contestou a afirmação reclamando que a disputa ali no debate não era apenas entre ela e Patrícia, mas sim entre ela e outros sete candidatos que estão contra o seu governo e querem ocupar seu cargo. "Tem muita coisa aí que é coisa de malandro e estão fazendo comigo do mesmo jeito que fizeram com o presidente Lula", comparou.

Ainda no segundo bloco, as ofensas continuaram entre as duas únicas candidatas mulheres de Fortaleza. Patrícia disse pensar conhecer Luizianne, mas percebeu que está enganada, porque sempre que assiste ao programa eleitoral, vê uma Fortaleza mentirosa.

"Fico indignada com isso. E ela vive dizendo que não fez muita coisa porque o ex-prefeito deixou um rombo nos cofres públicos, mas a bancada dela na Câmara aprovou as contas dele mesmo com o parecer contrário do TCM e o vice dela foi chefe de gabinete do antigo prefeito", prosseguiu, tendo seu ataque endossado por Moroni Torgan.

Patrícia encerrou a frente de reclamações dizendo que Luizianne está se fazendo de vítima sem ter motivo para isso. A petista, no entanto, se ateve a reafirmar que seus adversários a atacam porque não têm proposta. "E não têm proposta, porque não conhecem a cidade e falam de uma cidade alheia", concluiu.

O candidato Carlinhos (PCB) não foi convidado a participar do debate porque seu partido não tem representatividade em Brasília.


Redação Terra