De acordo com o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Valter Duarte, em época de eleição os taxistas ganham mais uma função - além das habituais psicólogo e conselheiro -, a de cabo eleitoral. São 35 mil motoristas na cidade. Eles têm como moeda de troca o contato diário com uma vasta gama de eleitores.
Mas este ano, enquanto o sindicato indica Paes e Solange, não há uma unanimidade na categoria. "Eles têm contato constante com um público bem variado. A conversa íntima dentro do carro funciona como um corpo-a-corpo. É um tipo de propaganda. Eles discutem política e dão opinião. Os candidatos sabem disso", analisa. Prova disso foi o brinde que o governador Sérgio Cabral deu aos taxistas no mesmo dia em que conquistaram a isenção das taxas dos exames médico e psicológico para a renovação da carteira de habilitação, até então exigidos pelo Detran.
Uma de suas promessas de campanha, a medida representa uma economia de R$ 106,28 e beneficia cerca de 65 mil motoristas no Estado. Vale lembrar que a legislação estadual já isentava os profissionais com mais de 65 anos do Documento Único do Detran de Arrecadação (Duda) para a renovação da carteira. A segunda medida é a suspensão, durante todo o mandato de Cabral, do pagamento de ICMS na compra de veículo para ser usado como táxi.
Ajuda a Paes
Não à toa Eduardo Paes (PMDB) e Solange Amaral (DEM) têm a preferência do Sindicato dos Taxistas. Valter Duarte explica que o voto da categoria é fisiológico. "Tendem a votar em quem os favorece em termos de licenciamento e benefícios fiscais. E, hoje, estão cada vez mais íntimos dos políticos, com quem buscam conversar", observa. O diretor do Sindicato dos Taxistas do Rio de Janeiro, José de Castro, diz que o apoio da entidade está dividido entre os candidatos. "Fizeram algo e estão atentos às necessidades da categoria", diz, numa clara alusão a Cabral e ao prefeito Cesar Maia. O presidente da Coopsind, Ricardo Verardi, diz que, com Solange inexpressiva nas pesquisas, apostará na mudança com Paes. "É o único que mostrou interesse em conversar conosco."
JB Online