Atualizada às 16h42
Roger Pereira
Direto de Curitiba
O atual prefeito de Curitiba e candidato à reeleição, Beto Richa (PSDB), não compareceu ao debate realizado pela TV Paraná Educativa realizado na noite de ontem. Ele acabou alvo preferido dos seis candidatos adversários presentes.
Em praticamente todas as perguntas e respostas que fizeram um a outro, Gleisi Hoffmann (PT), Carlos Moreira (PMDB), Fábio Camargo (PTB), Bruno Meirinho (PSOL), Ricardo Gomyde (PCdoB) e Lauro Rodrigues (PV) fizeram críticas à atual administração e ataques ao prefeito, que lidera as pesquisas com 70% das intenções de voto.
Lauro Rodrigues (PTdoB) também não compareceu ao debate. No primeiro bloco, ocorrerram os primeiros ataques a Beto Richa. Os candidatos foram questionados pela produção do programa sobre qual o principal problema da cidade. Ao invés de responder à pergunta, Fábio Camargo usou seus dois minutos para criticar as tentativas do prefeito de conseguir direito de resposta em seu programa eleitoral devido às críticas que faz ao candidato. "Tentaram me tirar do ar. Mas ninguém vai colocar cabresto no eleitor", afirmou Camargo.
Gleisi criticou o atendimento na saúde, a falta de segurança e o transporte, "que já serviu de exemplo para o País". Moreira declarou que o prefeito já está no governo há oito anos, pois foi vice-prefeito entre 2001 e 2004, "vivendo o trânsito caótico, as filas na saúde e a falta de vagas em creches, sem apresentar soluções".
Meirinho disse que a cidade é administrada de forma excludente e Maurício Furtado insinuou a possibilidade de Beto Richa deixar a prefeitura em 2010 para disputar o governo do Estado.
Nos blocos seguintes, em que um candidato fazia pergunta a outro sobre qualquer tema, o tom foi mantido. Nas perguntas, os candidatos criticavam a prefeitura ou faziam questionamentos para que a resposta viesse em tom de crítica. Fábio Camargo fez apelo para que o eleitor leve a disputa para o 2º turno. "Se tivermos preguiça de continuar discutindo a cidade no segundo turno, vamos sofrer nos próximos quatro anos", reforçou.
Moreira citou as caixas-pretas, bordão de sua campanha, que questiona os gastos com cargos comissionados, consultorias e a arrecadação com multas de trânsito, entre outras. Meirinho criticou as campanhas milionárias. "Falta dinheiro para obras essenciais da cidade, mas na campanha, esse dinheiro aparece".
Gleisi criticou a falta de política para a juventude e a demora no atendimento de saúde "com prédios bonitos, mas atendimento precário". Furtado declarou que o atual prefeito encerra seu primeiro mandato sem nenhuma obra que represente sua administração. Gomyde cobrou projetos de contraturno escolar e vagas em creche.
Nas considerações finais, os candidatos pediram voto no segundo turno, não importando o candidato. Esse foi o segundo debate promovido pela TV Educativa e a segunda vez que o prefeito Beto Richa não compareceu.
Richa tem relacionamento conturbado com o governador Roberto Requião (PMDB), alega a possibilidade de direcionamento do debate no canal do governo estadual para não comparecer aos debates e entrevistas promovidas pela TV Educativa. Ele lembrou recentes casos de desvio de função e uso político da emissora para justificar sua preocupação.
"Com todo o respeito aos profissionais que trabalham na TV Paraná Educativa, nos últimos anos a emissora tem sido usada, em grande parte, para fins políticos. Participar do debate seria dar respaldo a este desvio da função da emissora pública, desvio que também compromete o caráter democrático que todo debate deve ter", observou Beto Richa.
Redação Terra