Rio de Janeiro (RJ)

Segunda, 15 de setembro de 2008, 02h00 Atualizada às 01h59

Rio: maioria dos candidatos desaprova educação

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O atual sistema adotado nas escolas municipais do Rio de Janeiro, chamado pelos candidatos à prefeitura de aprovação automática, provavelmente não vai passar de ano. Solange Amaral (DEM), que tem o apoio de Cesar Maia, é a única candidata à prefeitura favorável à filosofia de avaliação continuada, em que o aluno só pode ser reprovado, ou retido ­ de acordo com a terminologia usada ­ ao fim de um dos dois ciclos.

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"O sistema de aprovação automática deverá ser eliminado. Vamos implantar um programa de reforço escolar com tecnologia digital e acesso, por TV digital, a programação produzida por professores da secretaria de Educação",­ garante Marcelo Crivella (PRB).

Eduardo Paes (PMDB) promete atualizar as diretrizes curriculares. Um provão municipal será aplicado no final do quarto e do oitavo anos.

"Vou acabar com a aprovação automática, porque quando o aluno for fazer prova para um emprego, um vestibular, um concurso público, não vai haver aprovação automática", critica Paes.

Um novo ambiente de ensino, que estimule os alunos é a saída apontada por Jandira Feghali (PCdoB) para que a aprovação automáica acabe sem que o aluno tenha dificuldade na aprendizagem.

"Vou implementar o horário integral nas escolas, reformulando o conteúdo. Queremos que as crianças aprendam para passar de ano, mas também não queremos reprovar todo mundo",­ explica.

O candidato do PV, Fernando Gabeira, acha que o erro está no próprio modelo educacional, que tem como base a repetição, o tratamento do aluno como receptor de conhecimentos, a reprodução dos conhecimentos isolados, sem integração entre si e com a vida.

"Os principais problemas, fora as questões já levantadas, são: turmas numerosas, impedindo o atendimento mais individualizado; escolas sem espaço alternativo para atividades não-acadêmicas; formação de professores ainda com um pé no século passado; tempo de permanência na escola que precisa ser ampliado -­ enumera Gabeira, acrescentando que o problema do atual modelo foi a forma "atabalhoada e incompetente" com que foi implantado pelo prefeito Cesar Maia.

Solange Amaral (DEM) garante que vai construir 100 escolas-padrão, com salas de informática, artes e ciências, além de quadras poliesportivas. Todas, segundo a candidata, terão ventilação e iluminação alternativos para economizar energia. O sistema de aprovação automática, no entanto, será mantido.

"­É um modelo defendido por grandes educadores, como Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, e já foi implantado em outras cidades, como Niterói, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre", defende.

A grande desigualdade na rede municipal é um dos principais problemas para Alessandro Molon (PT). Algumas das medidas defendidas por Molon para enfrentar o problema são a redução de alunos por turma, a formação continuada, contratação de pessoal e a implantação para horário integral. Outra é o fim da aprovação automática.

"A rede retomará o ensino seriado, com o fim da aprovação automática", garante.

A volta do projeto original dos Cieps, criado na gestão de Leonel Brizola, é a solução defendida por Paulo Ramos (PDT), com os alunos estudando em horário integral.

Maia: críticos são elitistas
Alheio às críticas, o prefeito Cesar Maia avalia sua gestão em educação com a nota 10. E acusa de elitistas os candidatos que prometem acabar com a aprovação automática.

"Minha gestão merece nota 10. Haja vista o IDEB em que ficamos em quarto lugar e terceiro entre as capitais. Os candidatos são elitistas e querem negar Anisio Teixeira, Paulo Freire e Darcy Ribeiro", atacou Cesar Maia.


O Dia