Atualizada às 01h11
O presidente em exercício do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Alberto Motta Moraes, reconheceu que a atuação das Forças Armadas nas eleições municipais é uma solução paliativa e que as milícias irão voltar às comunidades assim que as tropas saírem. "Temos a certeza de que, retiradas as tropas dali, é lógico que o traficante vai voltar, o miliciano vai voltar (a pressionar os eleitores). (...) Não fomos levar o remédio para curar a doença... é um abafa que está sendo feito e vamos tentar transmitir o mínimo de segurança ao eleitor", admitiu Moraes.
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Para ele, a segurança é relativa, já que os militares ficam no máximo três dias em cada uma das comunidades. Nesta quinta-feira, a Vila do João, na zona norte, e outras seis favelas cariocas foram ocupadas por 3,5 mil homens da Marinha e do Exército no primeiro dia da Operação Guanabara. O objetivo é impedir que traficantes e milicianos interfiram no processo eleitoral.
O TRE-RJ também definiu locais específicos nas comunidades ocupadas onde candidatos podem fazer comícios e corpo-a-corpo com garantia de segurança da Forças Armadas.
No primeiro dia de atuação das tropas no Rio, não houve confrontos ou ameaças com traficantes e milicianos. "Isso já era esperado. Não houve problema nenhum até porque as Forças Armadas adotaram a estratégia de divulgar antecipadamente os locais de ocupação", disse Moraes.
Pelo menos uma tonelada de material irregular foi apreendido nas cinco favelas. O juiz que controla a propaganda eleitoral no Estado, Luiz Márcio, disse que ficou surpreso com o volume. "Era material fora dos padrões e das regras, como estabelecimentos comerciais, associações, clubes, igrejas e até residências que faziam a propaganda do lado de fora, o que é proibido", disse o juiz.
No dia da eleição, as tropas militares atuarão em diferentes pontos da cidade para garantir a circulação de eleitores, candidatos e jornalistas. Outra medida é a proibição do uso de celulares com câmeras nas cabines de voto. "Vamos proibir, mas não sabemos como isso será feito porque o mesário na pode revistar um por um", ressaltou.
Reuters