Natal (RN)

Sexta, 5 de setembro de 2008, 08h43 Atualizada às 10h38

Natal: críticas à Micarla e Fátima marcam debate

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Os candidatos à prefeitura de Natal trocaram ataques durante o debate
Os candidatos à prefeitura de Natal trocaram ataques durante o debate
Juliska Azevedo/Especial para Terra

Juliska Azevedo
Direto de Natal

O debate realizado pela TV Band Natal entre os candidatos a prefeito foi marcado pelo enfrentamento das duas candidatas que lideram a disputa, Micarla de Sousa (PV) e Fátima Bezerra (PT). O debate foi transmitido ao vivo e teve duas horas de duração. Jornalistas dos quatro jornais impressos da capital do Rio Grande do Norte participaram com perguntas aos candidatos.

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No primeiro bloco, os candidatos falaram de sua prioridade caso assumam a prefeitura. Micarla de Sousa (PV) e Fátima Bezerra (PT) prometeram priorizar saúde, educação, trânsito e drenagem. Wober Júnior começou provocando Micarla, dizendo que esperava que a repetidora do SBT em Natal, a TV Ponta Negra, de propriedade da candidata, também realizasse debate para abrir espaço aos demais postulantes.

No bloco de perguntas entre os candidatos, Micarla e Fátima não chegaram a se enfrentar diretamente, mas usaram perguntas aos outros candidatos para se alfinetarem.

Micarla perguntou a Wober o que achava de adversários que têm espalhado entre comunidades carentes que os projetos sociais que só terão continuidade se forem eleitos, em referência à Fátima Bezerra.

"Transformar candidatura em objeto de ameaça subliminar é um ato perigoso. As pessoas não movimentam verbas pelo fato de serem ou não amigas do presidente da República", respondeu Wober. "Espero que o debate sirva para desmistificar esse tipo de atitude", replicou Micarla.

Pedro Quithé (PSL), Sandro Pimentel (Psol), Joanilson de Paula Rego (PSDC), Miguel Mossoró e Dário Barbosa (PSTU) centraram suas exposições em ações para imprimir moralidade à administração municipal.

Rego prometeu critério técnico para contratar cargos comissionados, Pimentel garantiu "enxugar" 1.200 cargos comissionados. Já Quithé afirmou que seu secretariado vai ter os sigilos bancário, fiscal e telefônico abertos, Barbosa prometeu auditoria nas contas e Mossoró garantiu criar equipe de transição que realize sindicância em todas as secretarias.

Lula
A ligação de Fátima com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua atuação como deputada federal foi alvo de outras perguntas. Pedro Quithé questionou à candidata do PT a afirmação feita por ela de que foi responsável por garantir recursos para a construção de 10 Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) no Estado, dizendo que não havia qualquer emenda de autoria da petista neste sentido.

Fátima disse que os recursos foram conseguidos através de emenda ao Plano Plurianual. "Não dá para desconhecer o trabalho que fiz por Natal. Claro que com a afinidade política e programática que temos com o governo federal, traremos muito mais", reforçou Fátima. A candidata também destacou a aliança de Micarla com o senador José Agripino Maia (DEM), principal opositor do governo federal.

Micarla foi atacada diretamente pelos candidatos Sandro Pimentel e Pedro Quithé. O primeiro, afirmou que a candidata do PV pratica "alpinismo político", por ter deixado a vice-prefeitura para concorrer à Assembléia em 2006 e agora disputar a prefeitura, além de dizer que Micarla não prestava expediente quando era vice-prefeita.

Pedro Quithé, em suas considerações finais, afirmou que a TV Ponta Negra tinha sido processada por dívidas trabalhistas por dois ex-funcionários, e questionou a honestidade administrativa de Micarla. A candidata do PV obteve direito de resposta, disse que exigia respeito, e que ali não se tratava de um debate para gerir sua emissora. "É de uma enorme pequenez colocar uma questão de minha empresa, já resolvida, em um debate sobre Natal", respondeu, enfática.

Em sua última palavra, Fátima destacou que sua atuação como deputada federal lhe deu "visão administrativa". Pimentel disse que sua candidatura é honesta e que gasta apenas R$ 1.800,00 com a produção do seu programa eleitoral. O candidato Joanilson Rego destacou que dentre os candidatos três eram originários de acordos políticos "espúrios" com o objetivo de perpetuar no poder grupos que estão há 50 anos governando a cidade. "Está tudo cheio de compadrio, o que causa desolação na paisagem política do Rio Grande do Norte", declarou.

Após o debate, Micarla e Quithé voltaram a discutir. A candidata do PV ressaltou que o adversário havia agido de má-fé porque sabia que as dívidas trabalhistas de sua empresa tinham sido quitadas.

"Você é advogado e sabe que qualquer empregado pode questionar uma empresa até cinco anos após ter saído dela. E sabe que foi pago". Quithé confirmou que o processo já havia sido extinto, e que a dívida havia sido paga. Mas insistiu que a ação trabalhista não deveria sequer ter existido.


Especial para Terra