Belém (PA)

Sábado, 30 de agosto de 2008, 16h30 Atualizada às 16h59

PA: disque-denúncia recebe mais de 200 chamadas

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Lucy Silva
Direto de Belém

Em pouco mais de vinte dias de funcionamento, o disque-denúncia contra corrupção eleitoral do Estado do Pará já recebeu 233 ligações informando sobre crimes eleitorais. A maioria foi referente ao uso da máquina pública e a compra de votos. Os municípios com mais chamadas são Tucuruí, Bragança e Barcarena. A linha direta começou a funcionar no dia 6 de agosto.

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Segundo a irmã Henriqueta Cavalcante, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que está à frente do disque-denúncia, entre as irregularidades relatadas está o fornecimento de combustível. "São denúncias de candidatos que forneceram gasolina para motos e carros que participassem de carreata e também aqueles que prometem serviços médicos", disse Henriqueta. De acordo com as denúncias, o valor de negociação na compra de votos varia entre R$ 50 e R$ 150, dependendo do poder aquisitivo do candidato.

Caso sejam comprovadas, as denúncias podem levar à impugnação dos candidatos. "Todas estão sendo investigadas pelos órgãos competentes. Depois de confirmadas, esperamos que a Justiça Eleitoral faça seu papel", diz a irmã.

De acordo com a irmã Henriqueta, ainda existe um grande desafio para os organizadores do canal telefônico: driblar o medo da população. "As pessoas têm receio de denunciar os atos, sempre perguntam se os números de telefone estão sendo gravados, se são filmadas, com medo de punições. Porém nós sempre orientamos que o trabalho é responsável e pedimos para que elas voltem a denunciar se o crime persistir".

Para a representante da OAB-PA no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Mary Cohen, a compra de votos é uma prática comum em todo o Brasil. "Isso deriva dos modelos das disputas do processo eleitoral que beneficiavam o coronelismo há tempos atrás. Os eleitores achavam comum receber presentes ou qualquer tipo de ganho na época das eleições. Só que com a consolidação da democracia, percebeu-se que esse modelo é distorcido".

Ainda segundo Mary, com a compra dos votos, são eleitos candidatos que não têm compromisso com a população. "O candidato que compra votos não tem interesse nenhum que aquele eleitor se torne consciente, ele sempre fará trabalhos assistencialistas. O mau político quer que o povo continue carente, ignorante e que funcione como massa de manobra. Temos que combater isso".

A jurista orienta os eleitores a acompanhar a trajetória dos políticos. "É importante que se saiba em quem se está votando, o eleitor tem que entender que ele é a grande estrela, que ele controla o processo eleitoral".

Para a irmã Henriqueta, o agravante da compra de votos não é apenas a baixa escolaridade dos eleitores. "Existem muitas pessoas que têm estudo e vendem seus votos. A causa disso é a falta de consciência política, já que um eleitor que a possui não se deixa corromper", indigna-se a irmã.

Com a proximidade das eleições, um grupo treinado pela CNBB atenderá às denúncias 24 horas. O denunciante precisa informar o nome completo do candidato, apresentar as provas - que podem ser fotos, vídeos ou cartazes -, além do local onde acontece a irregularidade. A ligação é gratuita pelo fone 0800 722 6223.


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