Rio de Janeiro (RJ)

Domingo, 24 de agosto de 2008, 23h27

Rio: MP investiga 18 dos 48 vereadores candidatos

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Fred Raposo

Dezoito dos 48 vereadores do Rio de Janeiro que tentarão a reeleição em outubro são investigados pelo Ministério Público Estadual (MP-RJ) por suspeita de enriquecimento ilícito. Descontada a inflação de 2004 a 2008, 11 destes parlamentares declararam à Justiça Eleitoral aumento no valor dos bens em seus nomes. Há ainda sete que alegaram decréscimo. Quatro vereadores são acusados apenas de improbidade administrativa. A reportagem teve acesso à lista do MP com os 22 nomes e números de seus inquéritos. A Câmara tem 50 membros.

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Cinco dos investigados - Argemiro Pimentel (PMDB), Chiquinho Brazão (PMDB), Liliam Sá (PR), Pastora Marcia Teixeira (PR) e Sami Jorge (PDT) - foram mencionados em reportagem da semana passada, que mostrou que, somado, o valor dos bens dos vereadores candidatos dobrou durante a atual legislatura.

O MP informou que, por suas particularidades, os inquéritos estão sendo investigados caso a caso. Wilson Leite Passos (PP), por exemplo, não forneceu declaração completa do IR e por isso entrou na lista. Ao menos nove dos parlamentares investigados apresentam variações. É o caso de Jorge Pereira (PTdoB). Embora tenha apresentado pequena variação percentual no valor dos bens - 11,75% - Pereira passou de R$ 2.514.058,23, em 2004, para R$ 3.441.697,40 este ano. Uma diferença de R$ 927.639,17, terceira maior evolução de volume financeiro entre os vereadores candidatos.

A vereadora Verônica Costa teve crescimento patrimonial de R$ 608 mil. Ela foi a única parlamentar eleita em 2004 que apresentou à Justiça Eleitoral declaração-base para o cálculo da reportagem - referente ao ano de exercício anterior. Segundo o documento, Verônica teve um salto patrimonial de R$ 154.995 para R$ 763.178 no período.

Na contramão da maioria dos demais parlamentares, que teve acréscimo no patrimônio, Rosa Fernandes é investigada por ter declarado o maior declínio de bens. Em sua quarta legislatura consecutiva, a recordista de votos nas duas últimas eleições - atingindo a marca dos 100 mil - afirmou ter passado de R$ 413.918,68, em 2004, para R$ 283.043, este ano - diferença negativa de R$ 130.875,68 (-44%).

Completam o quadro de vereadores candidatos investigados pelo MP-RJ por suspeita de enriquecimento ilícito Cristiane Brasil (PTB), Alexandre Cerruti (DEM), Luiz Antônio Guaraná (PSDB), Jorge Mauro (DEM), Dr. Carlos Eduardo (PSB), Jairo Souza dos Santos (PSC) e Sebastião Ferraz (PMDB).

A assessoria de Rosa Fernandes atribuiu a queda patrimonial da vereadora à rescisão de um contrato de financiamento a longo prazo de um imóvel, após o aumento das prestações do mesmo. Mas, ao ser informada de que a principal variação no valor dos bens da parlamentar referia-se a veículos declarados apenas em 2008, a assessoria não soube dizer se Rosa se desfez dos carros citados na declaração ao Imposto de Renda.

A assessoria de Verônica enviou fax informando que o patrimônio, à época, era de R$ 578.202. "Na declaração de bens em questão, a vereadora estava em disputa judicial com o ex-marido. Houve divisão de bens. Dá sensação de que cresceu, mas na verdade diminuiu", comunicou via fax uma pessoa que identificou-se como contador de Verônica.

Jorge Pereira não foi localizado para justificar a variação.

Improbidade
Sete vereadores candidatos estão na mira das investigações do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (MP-RJ) sob a suspeita de improbidade administrativa. Entre eles, o presidente da Câmara, vereador Aloisio Freitas, que declarou ter sofrido queda patrimonial no período - passou de R$ 627 mil em 2004 para R$ 400.849,00 na declaração de 2008.

Da lista do MP, três parlamentares são investigados sob suspeita de enriquecimento ilícito e improbidade administrativa. É o caso de Sami Jorge, ex-presidente da Câmara, Rosa Fernandes e Alexandre Cerruti, vereador com maior número de inquéritos - quatro no total, sendo três por improbidade administrativa.

Jorge João Silva, também conhecido como Jorginho da SOS, não declarou bens em 2008. Investigado pelo MP-RJ em dois inquéritos por improbidade administrativa, afirmou, em 2004, ter aplicação em fundos de investimentos e dinheiro em conta corrente que somavam R$ 3.717,62. "Queria até ter melhorado de vida, mas não foi o caso. Moro em casa alugada, minha família é muito pobre", explicou o vereador investigado, que obteve 23.790 votos na última eleição. "Não sei como os outros obtiveram crescimento patrimonial. Devem ter outro meio de vida".

Nereide Pedregal atribui a um erro do contador não ter tido bens declarados este ano. Até porque, em 2004, a vereadora alegou ter R$ 9 mil de participação de cotas em um hotel-fazenda. "Se procurar bem, verá que já retifiquei a informação junto à Justiça Eleitoral", disse Nereide. A divulgação de sua candidatura na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até o fechamento desta reportagem, constava que a vereadora "não possui bens a declarar".

Já Leila do Flamengo, que teve aumento patrimonial de 610%, já descontada a inflação, deverá ter o valor de um imóvel, comprado no bairro do Flamengo, na zona sul da cidade, reavaliado, de acordo com o MP-RJ. Completam a lista Rubens Andrade e Silvia Pontes.


Jornal do Brasil