Atualizada às 17h40
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| Cláudio "Obama" é candidato à prefeitura de Belford Roxo |
| Alexandre Vieira/O Dia |
O candidato à presidência dos Estados Unidos Barack Obama entusiasmou aspirantes a prefeito e vereador no Brasil, que adotaram seu nome nas eleições municipais de outubro. Um candidato a prefeito e seis a vereador pegaram carona na fama do democrata e decidiram acoplar o nome de Obama aos seus em busca de sucesso nas urnas. Nenhum candidato brasileiro usará o nome de John McCain.
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A legislação brasileira permite que os candidatos usem apelidos durante as campanhas eleitorais e em suas identificações. A iniciativa de adotar o nome de Barack Obama é multipartidária e ocorreu em diversas regiões do País.
Os candidatos afirmaram que apreciam a história de vida do americano e querem representar a mudança em seus municípios, uma das bandeiras da campanha do verdadeiro Obama nas eleições presidenciais americanas. Disseram também que a questão racial pesou em suas decisões.
"Sou o primeiro candidato negro a prefeito da minha cidade", disse Claudio Henrique "Barack Obama", que disputa pelo PTB à prefeitura do município de Belford Roxo, no Rio de Janeiro. Consultor em tecnologia da informação, Claudio Henrique dos Anjos decidiu concorrer com o novo nome depois que amigos e correligionários o apelidaram de Obama.
O petebista assegurou que tratou-se de coincidência pela aparência física, mas não escondeu a satisfação. "Não foi uma estratégia de marketing planejada, mas essa idéia tem trazido um efeito positivo para a gente", afirmou.
O Obama de Belford Roxo está otimista. Ele disse que ocupa o terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto e tem chances de ir para o segundo turno.
Jogada de marketing
Jovelino Selis (PT) não esconde a razão da escolha de concorrer com o apelido de "Barack Obama" a uma vaga na Câmara dos Vereadores de Ubiratã, no Paraná. Como não tem os cerca de R$ 20 mil para realizar uma campanha como os concorrentes, decidiu apelar. "Foi uma jogada de marketing. A idéia pegou. Está na boca do povo", comemorou.
Selis é professor de matemática de um colégio público da cidade e sindicalista. Apesar da satisfação com o sucesso na campanha, o candidato lamentou os problemas pessoais gerados pela escolha do apelido. Segundo o petista, a mulher, os filhos e o chefe reprovaram a opção. "Estão chamando o meu filho de Obaminha", disse, ao comentar a chacota feita ao filho caçula na escola em que estuda.
Os Obamas brasileiros sofrem dos mesmos preconceitos que o verdadeiro Barack Obama. Selis contou que há alguns dias ouviu um boato de que estava usando um nome árabe por que passou a ter relações com terroristas. "Disseram que eu agora tenho ligações com o pessoal do Oriente Médio. Tenho que fazer um trabalho didático para mostrar que não é nada disso", comentou.
Já Alexandre Nunes Jacinto (PSDB), o "Alexandre Barack Obama", teme que o antiamericanismo atrapalhe a sua luta por uma cadeira de vereador em Petrolina, sertão de Pernambuco. Em algumas conversas com eleitores, Jacinto prefere omitir o apelido que escolheu para a campanha. Mesmo assim, o vendedor de climatizadores diz que não se arrepende de ter adotado o nome do ídolo.
Jacinto soube quem era Barack Obama em uma visita a um político local. Na mesa do gabinete do colega de partido, havia uma cópia da biografia do senador democrata. "Vi um livro sobre a trajetória dele, um negro pobre e simples que virou senador. Meu objetivo é também chegar lá ao topo, à Presidência", planeja o candidato tucano.
Jacinto batalha para concretizar o sonho. Com poucos recursos, tenta convencer os eleitores de Petrolina que pode melhorar o saneamento básico da cidade e ajudar a revitalizar o rio São Francisco. "A minha dificuldade é grande. Até sapato eu já pedi para fazer campanha por que eu ando bastante e o meu estava furado. A coisa está feia", afirmou. "Faço campanha também a pé, de bicicleta e de moto quando alguém financia o combustível."
Reuters