Belo Horizonte (MG)

Terça, 5 de agosto de 2008, 20h32 Atualizada às 22h28

Candidato milionário: Brasil é uma sociedade desigual

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O candidato à prefeito com a maior fortuna declarada, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o socialista Márcio Lacerda, não acredita que sua situação financeira seja problema durante a campanha. "O Brasil é uma sociedade desigual, mas há uma mudança de cultura. Havia uma demonização do sucesso, mas isso está reduzindo", avalia o candidato do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que tem o apoio de 12 partidos, além do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), como principais cabos eleitorais.

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Em sua declaração de patrimônio encaminhada à Justiça Eleitoral, Lacerda informou possuir R$ 55,5 milhões, bem mais que os R$ 39 milhões declarados por Paulo Maluf (PP), o segundo mais rico, e cinco vezes mais que os R$ 10,4 que constam na declaração de Marta Suplicy (PT).

"Não posso julgar as declarações de outros candidatos. Cabe à Receita Federal verificar se os patrimônios são verdadeiros", afirma o candidato. O patrimônio de Lacerda chegou, inclusive, a ser citado por Pedro Paulo (PCO), durante o primeiro debate entre candidatos na capital mineira. "Juntei meu patrimônio sem nenhum processo ou contestação e agora estou colocando meu tempo à disposição para ajudar as pessoas", diz Lacerda.

O patrimônio do candidato é composto basicamente de cotas da empresa Macunaíma Participações Ltda e aplicações financeiras. Ele começou a formar seu patrimônio no fim da década de 1970, início dos anos 1980, quando, depois de sair da prisão política imposta pela ditadura militar, montou as empresas Construtel e Batik, especializadas em redes e equipamentos de telefonia.

"Eu nunca trabalhei para ficar rico. Estava em (liberdade) condicional e não pude voltar ao antigo emprego", afirma, referindo-se à então Companhia Telefônica de Minas Gerais, transformada posteriormente em Telemig.

Durante as décadas de 1980 e 1990, os negócios de Lacerda prosperaram e se estenderam para outros Estados e países da América do Sul. Até que o empresário vendeu seus negócios para a empresa americana Lucent, por valores não revelados à época da negociação.


Reuters