Eleições 2008

Sexta, 1 de agosto de 2008, 14h54 Atualizada às 14h53

Em Maceió, Berzoini diz que Lula não tem inimigos

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Berzoini concedeu entrevista coletiva no salão de convenções do Hotel Tambaqui, em Maceió
Berzoini concedeu entrevista coletiva no salão de convenções do Hotel Tambaqui, em Maceió
Bruno Soriano/Especial para Terra

Bruno Soriano
Direto de Maceió

O deputado federal e presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, concedeu entrevista coletiva, na manhã de hoje, no salão de convenções do Hotel Tambaqui, no bairro de Ponta Verde, em Maceió. Ao lado do candidato petista Judson Cabral, Berzoini afirmou à imprensa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, é um homem sem inimigos."Ele não discrimina qualquer região. Prova disto é o apoio que tem dado ao governador de Alagoas (Teotônio Vilela, que é do PSDB)",

» Berzoini se une a protesto em Maceió

Berzoini, que, ontem, participou de caminhada no centro da capital alagoana e se uniu a protesto que reivindicava a entrega de moradias populares pela Caixa Econômica Federal, disse que a briga de candidatos da base aliada em utilizar a imagem do presidente da República nas campanhas municipais "é mais uma prova da boa avaliação do governo Lula".

Quando questionado sobre a chamada verticalização (por meio da qual a lei obriga as legendas a manterem nos Estados a coligação feita em nível federal), Berzoini assegurou que o PT valoriza, nos municípios, a coerência programática de cada candidatura, "porque eleição municipal não foi feita para se discutir o governo Lula, mas, principalmente, para politizar a sociedade".

"Nacionalmente, aprovamos a aliança com PSDB, Democratas e PPS. Mas deixamos para os diretórios regionais decidirem de acordo com as realidades locais."

O petista lembrou, contudo, que Lula - a princípio - não deverá ir à Maceió durante a campanha de Judson Cabral, pois, segundo Berzoini, o acordado foi que o presidente não visitará os municípios onde há divisão da base aliada, como é o caso da capital alagoana, onde o PP - por exemplo - tem candidatura própria, com o atual prefeito Cícero Almeida, que já estaria com mais de 80% de aprovação popular.

"A melhor estratégia é a militância. Acredito em pesquisas, mas o jogo pode ser revertido. O Judson Cabral tem chances. A melhor prova de nossa probidade administrativa é a reduzida injeção financeira nas campanhas, se comparadas com algumas outras candidaturas", emendou.

Sem hostilidades
"Vamos evitar ao máximo os conflitos, repudiando hostilidades. É muito importante que exista essa disputa pelo uso da imagem do presidente Lula. Isso é uma prova de que ele faz um bom governo", comentou Ricardo Berzoini, abrindo a coletiva, sobre o que poderia ter sido feito pelo prefeito Cícero Almeida (PP, partido da base aliada) e candidato à reeleição, caso o PT não tivesse lançado candidatura própria em Maceió.

"Nossa vinda a Maceió faz parte da campanha do PT Brasil afora pelo voto consciente. A lei é quem nos traz impedimentos, mas o PT autoriza a veiculação da imagem do presidente, salvo quando os diretórios regionais solicitam 'exclusividade', tendo em vista que alguns candidatos o fazem apenas com fins eleitoreiros. Mas não creio que esta 'liberdade' possa causar algum desgaste, a não ser que haja pré-disposição para tal", avaliou o deputado federal.

Quanto aos comentários de que a candidatura petista, também em Maceió, necessitaria de um maior investimento financeiro, Berzoini foi enfático: "Esta é a maior prova de nossa probidade administrativa. Valorizamos o que temos de melhor, que é a nossa militância. Por que hoje a sociedade se pergunta: de onde vem o dinheiro? Quem financia? O que vão querer em troca depois?".

Aprovação popular
Berzoini também lembrou recente pesquisa do Instituto Vox Populi. "Segundo a pesquisa, 25% da população brasileira prefere o PT, com mais de um milhão de filiados, enquanto que 54% afirmam não terem preferência partidária", comentou o deputado, sobre os números que contrastam com a realidade petista nas prévias, em Maceió, à majoritária. "Teve gente que se elegeu praticamente sem chance no início do processo. Exemplo disto foi a vitória de Jacques Wagner na Bahia em 2006", comentou.

Já com relação à sucessão presidencial, Berzoini afirma que, hoje, nenhum nome "age com a naturalidade de uma campanha". "O presidente Lula já ventilou, por diversas vezes, o nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, mas outros companheiros podem pleitear, como o Tarso Genro (ministro da Justiça), por exemplo", explicou.

O deputado comentou ainda as recentes ações da Polícia Federal, que, segundo ele, tem dado um bom exemplo, "apesar de questionada no aspecto do constrangimento na abordagem a algumas pessoas".

"Tudo o que vemos hoje não existia até o governo Lula. E o maior exemplo de que o trabalho é feito com isenção é que até um prefeito do PT, Luiz Caetano, de Camaçari, na Bahia, foi preso (por fraude em licitações). Daqui há 20 anos, o presidente Lula será lembrando como um dos melhores presidentes deste País, ao contrário de muitos outros que tiveram suas passagens marcadas negativamente", alfinetou.

Em Alagoas, inclusive, um deputado estadual petista, Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento no esquema de desvio de recursos de quase R$ 300 milhões dos cofres da Assembléia Legislativa de Alagoas.


Redação Terra