Rio de Janeiro (RJ)

Domingo, 20 de julho de 2008, 04h07

Rio: Crivella irá centrar gestão em marginalizados

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O candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), disse, em entrevista ao Jornal do Brasil, que irá concentrar seus esforços nos marginalizados da cidade, se for eleito. Ele defendeu uma parceria com o governo federal e afirmou que é a pessoa mais capacitada para estabelecer essa aliança.

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Por que o senhor quer ser prefeito do Rio?

A minha visão é que temos hoje duas cidades. Quando, há quatro anos, propus o projeto Cimento Social, era para unir essas cidades. De um lado, há uma população com todos os serviços públicos, que se educa, que prospera, que é culta. Do outro, um Rio marginalizado, explorado, doente, triste. Esse é o epicentro da nossa crise. É aí que nasce a violência do Rio. Jamais teremos uma cidade culta, rica, influente e moderna nesse esquema de desenvolvimento. É preciso que o governo municipal se articule com o federal e faça no Rio de Janeiro um programa de cidade cidadã que se irradie pelo Brasil.

Como você explica a sua participação no projeto Cimento Social no morro da Providência?

Minha participação no projeto faz parte de minha atividade parlamentar. O projeto faz o resgate social de ampla parcela de nossa população mais humilde e garante os recursos orçamentários necessários à realização da obra.

O candidato Eduardo Paes (PMDB) também fala em união com o governo federal. Qual a diferença do seu discurso?

Essa integração não nasce de um momento para o outro. Na vida política escrevemos uma trajetória. Enquanto eu era vice-líder do governo, Eduardo recolhia assinaturas para as CPIs que tentaram incriminar Lula e sua família. Com humildade, o Eduardo pode até construir essa aliança, mas acho que terei mais facilidade.

Como estão suas relações com o governador Cabral?

Sempre defendi um governo de união e paz para o Rio. Quando perdi a última eleição para governador, disse a mim mesmo: perdi, mas não quero que o Rio perca. O Estado precisa de um governo de união e paz, portanto construí a parceria com o governador Cabral. Durante seus quatro anos no Senado, ele votou contra Lula o tempo todo. Mas a parceria tem sido importante para o Rio, com os investimentos da refinaria de Itaboraí, o Arco Metropolitano, as obras do PAC. Na área municipal, o Rio precisa desenvolver um outro programa de saneamento e habitação. Há muitas pessoas querendo sair das comunidades. As pessoas estariam dispostas até a se mudar, o que facilitaria à prefeitura a abrir espaço para levar serviços públicos e até reflorestar. Mas para isso é fundamental implantarmos o maior programa de habitação que o Rio já viu. A ministra Dilma Rousseff ficou empolgada com o projeto. Tenho certeza que a coisa andará.

Como seria o projeto? É remoção de favelas?

A maneira civilizada de conter o aumento das favelas é dar oportunidade às famílias de comprar um imóvel. As famílias que tenham renda de 2 salários mínimos e possam ter acesso a subsídio dos governos federal, estadual e municipal e recursos do FGTS, Sistema Integrado de Interesse Social e o FAT poderão financiar casas de R$ 80 mil. Não há como se falar em remoção. Essas favelas foram ocupadas da maneira como foi feito o desenvolvimento econômico do Rio, pelos processos políticos históricos da exploração do homem pelo homem. Não há como tirar um bem que uma pessoa tem, porque não lhe foi dado o direito a um programa em habitação. Antigamente não acho que haveria interesse em sair dessas áreas, mas hoje eu acho, por causa da violência, da criminalidade, das doenças e porque as pessoas estão vendo que é possível morar num condomínio com piscina, área verde. Vai haver uma oportunidade de ouro que é o Arco Metropolitano, que rasgará as áreas rurais da Baixada Fluminense, onde poderão surgir cidades satélites, com planos de urbanização para a área.


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