Rio de Janeiro (RJ)

Quarta, 30 de julho de 2008, 02h15 Atualizada às 02h22

Candidatos desconhecem ciclo da dengue no Rio

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Embora alguns candidatos a prefeito não saibam, especialistas concordam que é improvável a ocorrência de outra epidemia de dengue no município do Rio em 2009. O alto índice de focos do mosquito na cidade, porém, sugere que o sucessor de Cesar Maia terá dois caminhos a seguir: um deles, o mais fácil, é sentar em cima da queda do número de casos - já que grande parte da população está imune ao vírus do tipo 2. O outro é arregaçar as mangas antes que o tipo 4 se instale de mala e cuia nos ferrões dos milhares de aedes aegypti cariocas.

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"Na história dessa doença no mundo, não se registraram epidemias em anos subseqüentes", assegura Edimilson Migowski, chefe do setor de infectologia pediátrica da UFRJ. "A renovação da população suceptível leva três, quatro anos. Meu medo é que o próximo prefeito puxe para si uma eventual vitória na queda do número de casos e relaxe no combate aos focos do vetor."

O chefe do Departamento de Medicina Preventiva da UFRJ, Roberto Medronho, diz que se fosse o próximo prefeito do Rio começaria a trabalhar assim que o resultado fosse divulgado, bem antes da posse, em 1º de janeiro.

"Eu articularia a contratação ou a realocação de mais pessoal para combate ao vetor, porque de cada dez casas, quatro não foram visitadas. Também agendaria mais visitas nos fins de semana", raciocina. "Além disso, formaria um grupo interdisciplinar, porque dengue tem a ver com urbanização desordenada. É uma doença que se expressa na saúde, mas começa no lixo, na falta de saneamento, na água empossada. O combate tem que ser uma política de estado."

Medronho concorda com Migowski quanto à probabilidade de nova epidemia em 2009.

"Só se o vírus do tipo 4 chegasse ao Brasil, mas isso é improvável. Infelizmente, não estamos aliviados porque controlamos o aedes, isso sim seria o ideal", observa.

"O vírus 4 está ocorrendo na Venezuela e no Caribe neste momento", tranqüliza Migowski.

Medronho, entretanto, frisa que há muito a fazer na parte de atendimento para os próximos anos:

"É preciso agilizar o diagnóstico e otimizar a central de leitos para internação rápida dos pacientes mais graves", diz.

Prefeitura presta contas
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, um grupo de trabalho que reúne 13 órgãos da prefeitura, coordenado pela Defesa Civil Municipal, continua trabalhando, com reuniões semanais. A partir de uma central de operações, denúncias de focos são encaminhadas à Comlurb, à Coordenadoria de Controle de Vetores e a outros setores competentes para erradicação.

O grupo trabalha ainda no projeto Vizinho Amigo, que prepara instrutores para treinarem voluntários na prevenção da doença, sensibilizando moradores de sua rua, comunidade ou condomínio. No próximo mês, tomarão posse 585 agentes de saúde concursados.

Desconhecimento
Alguns candidatos, porém, parecem desconhecer o ciclo das epidemias e disseram esperar algo semelhante ao ocorrido no último verão, o que é improvável.

Chico Alencar (PSOL), por exemplo, afirmou que se prepara "para uma guerra". O candidato disse te ouvido de "sanitaristas" que o número de mortes em 2009 "pode ser ainda maior".

"Nossa angústia é assumir em janeiro em meio a uma nova epidemia. O combate ao vetor em ferros-velhos já deveria ter começado. Quando acabar a eleição, já temos que trabalhar", alertou Jandira Feghali (PCdoB).

Paulo Ramos (PDT) e Fernando Gabeira (PV) também esperam o pior já em 2009.

"O novo prefeito terá dificuldades para evitar uma nova epidemia. A prevenção já deveria estar sendo feita", disse Gabeira.


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